Neurologistas analisam avanço silencioso do Alzheimer no Brasil

O neurologista Fábio Henrique de Gobbi Porto, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, alerta que as alterações biológicas relacionadas à doença podem surgir até 18 anos antes da manifestação de sintomas. O médico explica que o processo degenerativo ocorre de forma silenciosa, impedindo que o paciente perceba qualquer mudança cognitiva inicial. Essa característica biológica impõe desafios significativos para a medicina atual, que busca formas de interromper o avanço da condição de maneira definitiva.

Avanço silencioso do Alzheimer

A complexidade das demências, que englobam diversas patologias além do Alzheimer, dificulta a criação de tratamentos eficazes para a interrupção do quadro. O neurologista Vitor Caldas, especialista em demências do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, afirma que a falha na memória representa apenas a etapa final de um processo que trabalha silenciosamente há décadas. Esse cenário explica por que muitos medicamentos testados em laboratório apresentam benefícios limitados quando aplicados em pacientes que já exibem sinais claros da doença.

Os dados científicos indicam que o Alzheimer é uma doença degenerativa provocada pela morte de células cerebrais. Embora a incidência seja maior em pessoas com idade superior a 70 anos, a ciência registra casos de manifestação precoce em indivíduos por volta dos 30 anos. Atualmente, a principal estratégia da comunidade médica consiste na identificação precoce das alterações por meio de biomarcadores presentes no sangue, no líquor e em exames de imagem.

Diagnóstico precoce de demências

Fábio Henrique de Gobbi Porto reforça que o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o agravamento da condição degenerativa. Vitor Caldas complementa que a mudança na percepção sobre o início da patologia é essencial para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. A Associação Brasileira de Alzheimer disponibiliza informações e orientações para pacientes e familiares através do portal oficial em abraz.org.br, onde é possível buscar suporte especializado e entender os protocolos de acompanhamento médico.

O sistema de saúde enfrenta o desafio de monitorar pacientes antes mesmo do surgimento de esquecimentos ou dificuldades de linguagem. A identificação de fatores de risco, como a anemia após os 60 anos, torna-se um componente relevante na estratégia de prevenção e controle das demências. O acompanhamento médico regular permite que especialistas monitorem a saúde cognitiva e identifiquem precocemente qualquer alteração que possa indicar o desenvolvimento de quadros demenciais.

Orientações da Associação Brasileira de Alzheimer

Pesquisadores continuam investigando novos medicamentos experimentais para tentar frear o avanço das doenças degenerativas. A ciência foca agora na ampliação dos estudos sobre biomarcadores para tornar o diagnóstico mais acessível e preciso em estágios iniciais. O objetivo central dos centros de pesquisa permanece sendo a descoberta de métodos capazes de interromper o ciclo de morte celular no cérebro humano.

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