Pesquisadores liderados por Nicholas Beare, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, identificaram uma associação entre o uso de metformina e a menor progressão da degeneração macular relacionada à idade. O trabalho, publicado na revista científica BMJ Open Ophthalmology, acompanhou cerca de 2 mil pacientes com diabetes tipo 2 durante um período de 5 anos.
Metformina e degeneração macular
A análise dos dados revelou que a utilização contínua do fármaco está ligada a uma diminuição de 37% no avanço da degeneração macular relacionada à idade no estágio intermediário. Esse resultado foi obtido após ajustes estatísticos rigorosos que consideraram variáveis como idade, sexo, presença de retinopatia diabética, controle glicêmico e o tempo de diagnóstico da doença. A degeneração macular afeta a mácula, região ocular fundamental para a leitura, identificação de cores e reconhecimento de rostos.
A doença apresenta duas formas distintas, sendo a seca a mais comum, responsável por 85% dos casos, caracterizada pelo afinamento da mácula e acúmulo de proteínas. A forma úmida, considerada mais agressiva, envolve o crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina que podem causar vazamentos de fluidos. Fatores de risco como tabagismo, hipertensão, colesterol elevado e o envelhecimento natural do organismo contribuem para o agravamento de ambos os quadros clínicos.
Estudo sobre saúde ocular
A oftalmologista Erika Yasaki, do Einstein Hospital Israelita, explica que a metformina atua em processos celulares ligados ao envelhecimento, reduzindo o estresse oxidativo e a inflamação. A médica Solange Travassos, coordenadora do departamento de Saúde Ocular da Sociedade Brasileira de Diabetes, reforça que estudos experimentais demonstram a proteção de fotorreceptores e do epitélio pigmentar da retina. Segundo Nicholas Beare, o achado é promissor, mas o caráter observacional da pesquisa impede a confirmação de uma relação direta de causa e efeito.
O sistema visual humano possui uma das maiores demandas metabólicas por oxigênio, tornando a retina um tecido especialmente vulnerável ao estresse oxidativo. A ativação da via AMPK, relacionada à regulação energética e limpeza celular, surge como um mecanismo biológico plausível para o efeito protetor observado no estudo. A continuidade das pesquisas clínicas é necessária para compreender a eficácia do medicamento em populações mais amplas e confirmar se o benefício pode ser replicado em diferentes contextos clínicos.
Pesquisa da Universidade de Liverpool
A comunidade científica aguarda novos ensaios clínicos para validar a eficácia da metformina como terapia preventiva para a saúde ocular. Os pesquisadores ressaltam que, embora a associação seja estatisticamente relevante, o uso do medicamento deve seguir estritamente as orientações médicas para o tratamento do diabetes. Não há, até o momento, recomendação clínica para o uso do fármaco especificamente para a prevenção da degeneração macular em pacientes sem diabetes.
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