Consumo de berinjela não oferece riscos de dependência química

A nutricionista Maria Clara Nogueira, da Clínica Oma em Brasília, esclareceu nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, que a presença de nicotina na berinjela não representa perigo à saúde. O vegetal integra a família das solanáceas, grupo que produz naturalmente a substância como mecanismo de defesa contra pragas.

Nicotina na berinjela

A substância encontrada no alimento possui concentração ínfima, incapaz de gerar dependência ou estímulos no sistema nervoso central. Além da berinjela, outros vegetais como tomate, batata e pimentão também contêm traços naturais da substância em suas composições biológicas. A nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, reforça que tais níveis não possuem relevância toxicológica para a população.

Estudos técnicos indicam que a berinjela apresenta cerca de 0,1 micrograma de nicotina por grama de alimento. Em comparação, um único cigarro fornece entre 1 miligrama e 2 miligramas da substância ao organismo do fumante. O cálculo científico aponta que seriam necessários entre 10 quilos e 20 quilos de berinjela para igualar a carga de nicotina de um cigarro.

Riscos do consumo vegetal

Maria Clara Nogueira afirma que os efeitos de qualquer substância dependem estritamente da dose consumida pelo indivíduo. Segundo a profissional, a quantidade presente no vegetal deve ser tratada apenas como uma curiosidade científica sem impacto clínico. Taynara Abreu complementa que não existem evidências de que o consumo desses vegetais cause alterações cardiovasculares ou mudanças de humor.

O hábito de ingerir vegetais da família das solanáceas permanece seguro e recomendado por nutricionistas dentro de uma dieta equilibrada. Diferente do tabagismo, que provoca aumento da frequência cardíaca e dependência química, a ingestão alimentar não resulta em absorção suficiente para alterar a fisiologia humana. A ciência documenta amplamente a presença natural desses compostos, descartando riscos associados ao consumo regular desses alimentos.

Nutrição e saúde humana

Pesquisadores como Ashley Gearhardt, da Universidade de Duke, investigam em outros estudos por que produtos ultraprocessados podem gerar dependência similar ao tabaco. O foco acadêmico atual prioriza entender o impacto de alimentos industrializados no sistema nervoso, diferenciando-os dos vegetais in natura. Não há registros de que a ingestão de berinjela ou tomate interfira nos processos de tratamento para dependentes de nicotina.

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