Inca aponta maior consumo de tabaco por grupo LGBTI+

O Instituto Nacional do Câncer apresentou, na quinta-feira (25), um estudo detalhado sobre o uso de substâncias entre a população LGBTI+ no Rio de Janeiro. A pesquisa, conduzida por Aline Mesquita, utiliza microdados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 para mapear disparidades no consumo de tabaco. O levantamento destaca a necessidade urgente de integrar políticas de controle do tabagismo às ações de saúde voltadas especificamente para esse público.

Consumo de tabaco

Os dados revelam que 22,4% das pessoas homossexuais e bissexuais consomem produtos derivados do tabaco, enquanto o índice entre heterossexuais é de 12,7%. A diferença é ainda mais acentuada no uso de dispositivos eletrônicos, conhecidos como vapes, onde a prevalência é quase seis vezes maior entre o público LGBTI+. Aline Mesquita, que atua na Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco, afirma que o tabagismo atua como o principal fator de risco para doenças crônicas graves.

A disparidade no consumo é atribuída, em parte, às estratégias de marketing da indústria tabagista, que busca associar seus produtos a uma imagem positiva através do patrocínio de eventos. Aline Mesquita ressalta que o lançamento de produtos com sabores e aromas atrai especialmente os mais jovens, mascarando os riscos reais à saúde. O preconceito e a violência enfrentados por essa parcela da população também criam um ambiente de vulnerabilidade, aumentando as chances de quadros de depressão e ansiedade que favorecem o vício.

Saúde LGBTI+

Denise Taynah, secretária-executiva do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBTI+ do Rio de Janeiro, defende a inclusão de protocolos antitabagismo em serviços especializados. Ela enfatiza que unidades de saúde que realizam o processo transsexualizador devem colaborar ativamente para melhorar a saúde física e mental dos pacientes. O objetivo é garantir que o atendimento seja efetivo na redução do fumo e contribua para o aumento da expectativa de vida desses indivíduos.

O governo brasileiro mantém políticas de controle do tabaco que agora precisam ser adaptadas para contemplar as vulnerabilidades específicas da população LGBTI+. A ausência de dados sobre identidade de gênero em pesquisas oficiais anteriores limita a compreensão total do cenário, mas o Inca reforça que o combate ao tabagismo é essencial para reduzir doenças cardiovasculares e respiratórias. Informações adicionais sobre prevenção e controle do câncer podem ser consultadas diretamente no portal oficial do Instituto Nacional do Câncer em www.gov.br/inca.

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