O governo brasileiro enviou um documento oficial aos Estados Unidos na quarta-feira, 1 de julho, contestando a proposta de taxação de 25% sobre produtos nacionais. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assinou o texto de 29 páginas que refuta as medidas sugeridas pelo Representante Comercial dos EUA, conhecido pela sigla USTR.
Itamaraty rebate tarifas dos EUA
A administração federal argumenta que a implementação de tarifas amplas causaria prejuízos diretos à economia norte-americana e às suas próprias empresas. O documento destaca que 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos solicitaram formalmente a exclusão de produtos brasileiros de qualquer sobretaxa. Essas entidades alertam que a ausência de substitutos nacionais para os itens importados do Brasil elevaria os custos para consumidores e indústrias locais.
O relatório do USTR, publicado em junho, é fruto de uma investigação iniciada há um ano sob a gestão do presidente Donald Trump, baseada na Seção 301 da legislação comercial estadunidense. O governo brasileiro sustenta que a ameaça de tarifaço foi politizada para interferir nas eleições de outubro no Brasil. O Itamaraty afirma que a medida reduz o espaço para o diálogo bilateral e onera investimentos importantes para ambos os lados.
Governo defende Pix e STF
O ministro Mauro Vieira enfatizou no documento que o sistema de pagamentos Pix não discrimina companhias estrangeiras. O texto cita a atuação de empresas como Google Pay Brasil e Visa dentro da infraestrutura do sistema brasileiro. O governo ainda comparou o mecanismo ao FedNow, sistema de pagamentos criado pelo Federal Reserve nos Estados Unidos.
O ataque ao Pix é interpretado pelo governo brasileiro como uma reação à gratuidade do serviço, que impacta o modelo de cobrança de empresas como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay. O documento também rebate críticas do USTR sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo plataformas digitais. O governo brasileiro reforça que a adoção do tarifaço não será eficaz para reverter políticas internas do país.
Impacto comercial Brasil e EUA
As autoridades brasileiras aguardam o desenrolar das negociações comerciais após a entrega da resposta oficial. O governo mantém a posição de que o diálogo é o único caminho para resolver as divergências sobre práticas comerciais e investimentos entre as duas nações.
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