Davi Alcolumbre retém proposta de fim da escala 6x1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantém travada há mais de um mês a Proposta de Emenda à Constituição que visa extinguir a escala de trabalho 6×1. O debate sobre a medida ocorreu nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, durante audiência pública realizada no plenário da Casa legislativa. O encontro reuniu representantes do governo federal, parlamentares da oposição, lideranças sindicais e empresários para discutir a viabilidade da alteração constitucional.

Debate sobre escala 6×1

A proposta em análise prevê a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, acompanhada da instituição de dois dias de descanso. Empresários dos setores de transporte, indústria e comércio manifestaram oposição à mudança, argumentando que a alteração eleva os custos operacionais e prejudica a economia nacional. As lideranças patronais defendem que a definição da jornada deve ocorrer exclusivamente por meio de negociações diretas entre empregados e empregadores, sem intervenção legislativa.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o impacto econômico da medida seria de 7,8%, valor que ele compara ao aumento real do salário mínimo. Segundo o ministro, estudos do Ipea indicam que a economia brasileira possui capacidade de absorver esses custos sem gerar falências ou desemprego. Dados oficiais apontam que o Brasil registra atualmente a menor taxa de desemprego da série histórica, o que fundamenta a defesa do governo pela aprovação da proposta.

Impactos econômicos da jornada

O presidente da Fecomércio-SP, Ivo Dall’Acqua, defendeu que o foco do país deve ser o aumento da produtividade antes da redistribuição de riquezas. Já o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, argumentou que os ganhos econômicos acumulados nas últimas quatro décadas precisam ser repartidos com a classe trabalhadora. A defesa da PEC sustenta que a medida é necessária para combater a exaustão física e mental, permitindo que os trabalhadores dediquem mais tempo à família, aos estudos e ao lazer.

O impacto da exaustão no mercado de trabalho brasileiro atingiu níveis recordes em 2025, quando 4,1 milhões de trabalhadores foram afastados temporariamente por motivos de saúde. Esse número representa um aumento de 15% em relação aos registros de 2024, com destaque para casos de burnout, depressão, ansiedade e lesões na coluna. O ministro Guilherme Boulos reforçou que a redução da jornada pode elevar a produtividade, citando experiências internacionais que associam o descanso à eficiência operacional.

Audiência pública no Senado

Representantes do setor produtivo já haviam solicitado anteriormente a Davi Alcolumbre que a votação da proposta fosse adiada para após as eleições de 2026. O texto permanece sob análise na mesa do presidente do Senado, sem definição de data para deliberação em plenário. O acompanhamento das atividades legislativas e das pautas em discussão pode ser realizado diretamente pelo portal oficial do Senado Federal em www.senado.leg.br.

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