Investidores elevam cotação do dólar a R$ 5,18

O mercado financeiro brasileiro registrou nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, uma valorização expressiva da moeda americana. O dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,187, atingindo o patamar mais elevado desde o dia 30 de março. A movimentação reflete a busca por segurança diante de um cenário de maior aversão ao risco em escala global.

Cotação do dólar

A alta de 0,89% na moeda estrangeira ocorreu em um dia de instabilidade nos mercados internacionais, pressionados pela queda de ações de tecnologia nos Estados Unidos. O Federal Reserve mantém investidores atentos a novos indicadores de inflação, que podem influenciar a manutenção de uma política monetária mais restritiva. Paralelamente, o petróleo fechou em baixa, com o Brent cotado a US$ 76,80 e o WTI a US$ 73,21, sob influência de negociações geopolíticas envolvendo o Irã.

O Ibovespa contrariou o pessimismo externo e encerrou o pregão com alta de 0,52%, alcançando 171.258 pontos. O desempenho positivo foi sustentado pelo avanço das ações da Petrobras, de grandes bancos e de empresas ligadas ao ciclo econômico. O recuo das taxas de juros futuros, impulsionado pela divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), também favoreceu a renda variável.

Ibovespa e Copom

O documento divulgado pelo Banco Central indicou a possibilidade de uma pausa no ciclo de corte de juros, dependendo da evolução do cenário internacional. Essa sinalização reduziu o desconforto gerado pelo comunicado anterior, que omitia os próximos passos para a taxa Selic. O mercado agora monitora o índice de preços de gastos com consumo, conhecido como PCE, que serve como principal indicador de inflação para as decisões do banco central americano.

A economia brasileira sente o impacto direto dessa volatilidade cambial, que encarece produtos importados e pressiona os custos de produção industrial. O governo federal mantém medidas de regulação, como a elevação de tarifas para carros elétricos e a renovação da cota zero de importação, enquanto a Fazenda busca maior transparência fiscal com o novo painel de benefícios. O setor produtivo aguarda novos sinais sobre o equilíbrio do mercado global para ajustar suas projeções de crescimento para o restante do ano.

Mercado financeiro global

O Banco Central reforçou que as melhores práticas recomendam cautela diante de choques de oferta, mantendo o foco na estabilidade dos preços internos. O monitoramento das negociações no Estreito de Ormuz permanece como um fator de atenção para a cotação das commodities energéticas. Investidores devem acompanhar os próximos dados econômicos dos Estados Unidos para identificar novas tendências de curto prazo.

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