Governo Rodrigo Paz reduz bloqueios nas estradas bolivianas

O presidente Rodrigo Paz obteve a redução de interdições em rodovias bolivianas após firmar um acordo com a Central Operária da Bolívia e decretar estado de exceção. A medida, confirmada pelo Parlamento na madrugada de domingo, 21 de junho de 2026, autoriza o uso das Forças Armadas para conter manifestantes. O decreto permite ainda a implementação de toques de recolher em regiões específicas do território nacional.

Bloqueios rodoviários na Bolívia

A crise política, que se estende por 50 dias, gerou desabastecimento de alimentos e medicamentos em diversas cidades bolivianas. A Administradora de Estradas Bolivianas registrou uma queda expressiva no número de pontos obstruídos nas últimas horas. O monitoramento oficial indicou que os bloqueios diminuíram de 31 para 12 pontos críticos em La Paz, Cochabamba, Oruro e Santa Cruz.

O acordo firmado na sexta-feira, 19 de junho, estabelece um cronograma de 90 dias para que o governo cumpra compromissos estruturais e nacionais. O presidente da Central Operária da Bolívia, Mario Argollo, solicitou o fim das manifestações para pacificar o país. O pacto inclui cláusulas que impedem a criminalização de protestos e a perseguição de lideranças de movimentos sociais envolvidos nas mobilizações.

Acordo com sindicatos bolivianos

A doutoranda em ciência política da Universidade de São Paulo, Alina Ribeiro, aponta que o desgaste social favoreceu a negociação entre as partes. Segundo a pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o bloqueio de rodovias é uma estratégia histórica de resistência na Bolívia. Alina Ribeiro ressalta que a paralisação das cidades exige um sacrifício integral dos manifestantes, o que torna a busca por uma saída negociada uma alternativa viável.

A população boliviana enfrenta instabilidade desde janeiro, com o ápice dos protestos ocorrendo entre maio e junho de 2026. A promulgação de uma lei de terras, considerada desfavorável aos camponeses, intensificou as exigências pela renúncia de Rodrigo Paz. O atual presidente assumiu o poder há apenas sete meses, encerrando um ciclo de quase duas décadas de governos de esquerda no país andino.

Crise política Rodrigo Paz

O governo de Rodrigo Paz deve agora demonstrar resultados práticos dentro do prazo estipulado de três meses para manter a estabilidade. Mario Argollo afirmou que a responsabilidade pela pacificação nacional está, neste momento, sob gestão do Poder Executivo. A continuidade da trégua depende do cumprimento dos pontos acordados com a central sindical.

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