A professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, afirma que o governo de Donald Trump deve exercer pressão direta nas próximas eleições brasileiras. A pesquisadora, que monitora o avanço da direita na América Latina, sustenta que o movimento americano visa conter a influência chinesa na região. O cenário político atual reflete uma mudança regional consolidada, marcada pela ascensão de lideranças conservadoras em diversos países vizinhos.
Influência de Trump na América Latina
O mapa político sul-americano registrou uma guinada à direita desde o início dos anos 2000, processo que se intensificou na última década. Keiko Fujimori venceu recentemente as eleições no Peru após uma disputa acirrada contra Roberto Sánchez, superando o adversário por uma margem de 49.641 votos. Na Colômbia, o empresário Abelardo de la Espriella também conquistou o segundo turno, consolidando o que especialistas chamam de “círculo de fogo” conservador ao redor do Brasil.
A vitória de Keiko Fujimori no Peru ocorreu após mais de três semanas de contagem oficial dos votos, confirmando a polarização extrema entre os eleitores. Enquanto Abelardo de la Espriella atua como um outsider sem histórico em cargos eletivos, Keiko Fujimori possui trajetória em famílias tradicionais e disputou a presidência em três ocasiões anteriores. Ambos os políticos eleitos basearam suas campanhas em discursos focados no combate ao narcotráfico e na redução da violência urbana.
Eleições no Brasil e EUA
Regiane Bressan destaca que a interferência americana na região ocorre de maneira constante, independentemente da afinidade ideológica dos governantes locais. “Eu acredito que os Estados Unidos continuarão tensionando a nossa região e acho que vão tensionar as eleições no Brasil”, declarou a professora da Unifesp. O ex-chanceler Celso Amorim também manifestou preocupação, alertando que tentativas externas de intervenção no processo eleitoral brasileiro podem gerar efeitos contrários aos pretendidos por Donald Trump.
O eleitorado latino-americano demonstra, segundo a análise de Regiane Bressan, uma crescente descrença na política tradicional e uma busca por soluções rápidas para problemas complexos. As redes sociais desempenham um papel fundamental na disseminação dessas pautas, que priorizam a segurança pública como eixo central das propostas de governo. Esse fenômeno explica por que figuras com perfis tão distintos, como o empresário Abelardo de la Espriella e a política experiente Keiko Fujimori, conseguiram atrair o apoio popular em seus respectivos países.
Direita na política sul-americana
As movimentações diplomáticas dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump permanecem como o denominador comum nas estratégias eleitorais da América Latina. A análise de especialistas indica que a disputa por influência global entre americanos e chineses continuará ditando o ritmo das relações internacionais no continente. O acompanhamento dos desdobramentos eleitorais no Brasil será o próximo passo para observar como essa pressão externa se traduzirá em ações concretas durante o pleito nacional.
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