O Ministério da Saúde implementa a partir de 2026 a nova diretriz para o rastreamento do câncer do colo do útero. A medida permite que mulheres realizem a autocoleta vaginal para a detecção do HPV, vírus responsável por quase a totalidade dos casos da doença. A mudança foi oficializada após a publicação da Nova Diretriz Brasileira em 2025, visando aumentar a adesão ao diagnóstico preventivo.
Rastreamento de HPV no SUS
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) registra anualmente cerca de 19 mil novos casos da doença no Brasil. A baixa adesão ao exame de Papanicolau, motivada por desconforto físico ou barreiras de acesso, é apontada como o principal fator para esses índices. A nova estratégia busca contornar essas dificuldades ao oferecer um método rápido e indolor, que pode ser executado pela própria paciente em diversos locais.
A transição do modelo tradicional para o teste molecular ocorrerá gradualmente no Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo dos próximos cinco anos. O teste de HPV oncogênico apresenta maior sensibilidade na identificação de lesões pré-cancerosas em comparação ao método citopatológico convencional. A vacinação profilática permanece como pilar fundamental da prevenção, garantindo que o câncer seja uma condição praticamente 100% evitável.
Nova diretriz do câncer
A professora Marcia Edilaine Lopes Consolaro, do Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destaca a relevância da equidade no acesso aos exames. A pesquisadora, que fundou a Rede Previna-se em 2013, ressalta que mulheres negras, urbanas e quilombolas enfrentam maiores vulnerabilidades. A autocoleta surge como ferramenta estratégica para alcançar populações que historicamente encontram obstáculos para realizar o rastreamento ginecológico tradicional.
O projeto de implementação conta com o suporte de divulgadoras científicas como Ana Paula Machado Velho e Milena Massako Ito, integrantes do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI Paraná Faz Ciência). A iniciativa busca integrar o rastreamento molecular à rotina de saúde pública, alinhando o Brasil às diretrizes internacionais de eliminação do câncer do colo do útero. O acompanhamento das novas diretrizes pode ser consultado nos canais oficiais do Ministério da Saúde e em plataformas de divulgação científica como o portal The Conversation Brasil.
Autocoleta vaginal no Brasil
A substituição do Papanicolau pelo teste de HPV será consolidada em todo o território nacional até o final do prazo de cinco anos estabelecido pelo governo. Agentes Comunitários de Saúde desempenham papel central na busca ativa por mulheres que ainda não realizaram o rastreamento, reforçando a capilaridade da nova política pública.
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