O estado de São Paulo observa nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, o feriado estadual que homenageia a Revolução Constitucionalista de 1932. A data recorda o início do levante militar deflagrado por forças paulistas contra o governo provisório de Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época. O feriado foi instituído oficialmente no calendário paulista em 1997.
Revolução Constitucionalista de 1932
O conflito armado surgiu após a deposição do presidente Washington Luís em 1930, evento que encerrou a chamada Política do Café com Leite. A crise econômica global, desencadeada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929, afetou severamente a economia cafeeira paulista e isolou as elites locais do poder central. Getúlio Vargas passou a nomear interventores para os estados, gerando forte resistência entre políticos e intelectuais de São Paulo.
O primeiro interventor de longa permanência foi o tenente João Alberto Lins de Barros, que enfrentou oposição de partidos como o Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático. Em março de 1932, o governo federal substituiu o militar pelo civil Pedro de Toledo em uma tentativa de conciliação. Contudo, a tensão escalou em 23 de maio daquele ano, quando cerca de 300 pessoas participaram de um protesto que resultou em incêndio na sede do Partido Popular Paulista.
Feriado em São Paulo
O professor Arão Davi Oliveira, da Universidade Anhanguera (Uniderp), explica a construção histórica do movimento. Segundo o historiador, as elites paulistas criaram uma narrativa ufanista que aglutinou um discurso legalista em defesa da Constituição. Arão Davi Oliveira afirma que o estado se posicionou como guardião da legalidade contra o arbítrio imposto pelo governo varguista daquele período.
A memória do conflito transformou-se em um marco cívico fundamental para a identidade do estado nas décadas seguintes ao levante. O movimento de 1932 não representou a primeira mobilização contra governos impopulares, mas consolidou-se como símbolo de resistência regional. A organização social e política de São Paulo passou por profundas mudanças estruturais como reflexo direto das tensões políticas iniciadas pela revolução.
História política brasileira
O feriado de 9 de julho permanece como o único dia de celebração oficial da Revolução Constitucionalista no território paulista. A data é mantida pelo governo estadual para preservar o registro histórico do levante militar ocorrido há 94 anos.
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