O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, determinou a intervenção administrativa na empresa Transunião nesta quinta-feira, 25 de junho. A decisão, que será publicada em edição extra no Diário Oficial, ocorre após a deflagração da Operação Última Parada pelo Ministério Público de São Paulo. A companhia é suspeita de atuar como fachada para lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Intervenção na Transunião
A gestão municipal nomeou Ângelo Fêde, funcionário de carreira da SPTrans com 49 anos de casa, para atuar como interventor na empresa. A SPTrans assumirá integralmente a gestão e a operação da concessionária, que atende a zona leste da capital. A investigação aponta que a Transunião utilizou recursos da facção criminosa para vencer a licitação do transporte público municipal.
As autoridades judiciais decretaram o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. A operação também resultou no sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Entre 2015 e 2019, o capital social da empresa saltou de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, manobra realizada para atender aos requisitos do certame licitatório.
Operação Última Parada
Ricardo Nunes afirmou que a prefeitura manterá o rigor contra qualquer vínculo entre concessionárias e atividades criminosas. O prefeito declarou que não aceitará a permanência de empresas ligadas ao crime no sistema municipal. O vereador Senival Pereira de Moura foi preso durante a ação policial, sendo apontado pelas investigações como o líder oculto e beneficiário da Transunião.
A Transunião opera atualmente 50 linhas de ônibus e transporta cerca de 262 mil passageiros diariamente na zona leste de São Paulo. A prefeitura garantiu que o serviço de transporte não será interrompido para a população durante o período de intervenção. O histórico de investigações contra o setor inclui casos anteriores envolvendo as empresas Transwolff e Upbus, que também foram alvos da Operação Fim da Linha em 2024.
PCC e transporte público
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo seguem com os desdobramentos da Operação Última Parada para identificar outros envolvidos no esquema. Entre os alvos de mandados de prisão está Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão, apontado como articulador da lavagem de dinheiro e autor de homicídio. A prefeitura informou que os processos de caducidade e intervenção seguem sob análise judicial para definir o futuro das concessões investigadas.
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