Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo executaram, nesta quinta‑feira 25 de junho de 2026, mandados de busca e apreensão contra suspeitos que utilizavam uma empresa de ônibus para lavar recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC). As diligências ocorreram em São Paulo, na região metropolitana e em Extrema (MG).
operação polícia civil
A força‑tarefa cumpriu 103 mandados, prendeu três pessoas identificadas como membros da facção criminosa e apreendeu documentos que apontam um núcleo paralelo de decisão dentro da concessionária. Esse núcleo desviava recursos para o PCC, segundo a investigação. A empresa viu seu capital social saltar de cerca de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem justificativa plausível, conforme o relatório da polícia.
A Justiça determinou o afastamento da diretoria da empresa e autorizou a intervenção da Prefeitura de São Paulo para garantir a continuidade do serviço de transporte, que recebeu mais de R$ 300 milhões em repasses no ano passado. O juiz também ordenou o sequestro de R$ 194 milhões em contas dos investigados, bloqueio de 21 imóveis, 117 veículos e três embarcações. O valor total bloqueado pode alcançar até R$ 30 bilhões, de acordo com o Ministério Público.
bloqueio de bens
O delegado‑investigador Rogério Silva destacou que “a operação demonstra a capacidade da Polícia Civil e do MP de desarticular estruturas de lavagem de dinheiro que utilizam empresas de utilidade pública”. Já a procuradora Mariana Costa, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que “o afastamento da diretoria e a intervenção municipal são medidas necessárias para proteger os usuários do transporte coletivo”.
A empresa de ônibus, que opera linhas na capital e em municípios da região metropolitana, tem sido alvo de críticas desde que surgiram indícios de irregularidades financeiras. O crescimento abrupto do capital social sem origem clara levanta suspeitas sobre a participação de organizações criminosas no setor de transporte público. A prefeitura, responsável por garantir a prestação do serviço, agora assume a gestão temporária enquanto as investigações prosseguem.
intervenção prefeitura
A operação também evidencia a extensão da influência do PCC em atividades econômicas legítimas, reforçando a necessidade de vigilância contínua por parte das autoridades. O bloqueio de bens e o sequestro de recursos financeiros representam um golpe significativo ao fluxo de capitais ilícitos, podendo reduzir a capacidade de financiamento de atividades criminosas na região.
Os próximos passos incluem a análise dos documentos apreendidos para identificar outros envolvidos e a possível convocação de audiências públicas para discutir a retomada da gestão da concessionária. A Justiça deve decidir, nos próximos dias, sobre a destinação dos bens bloqueados e a continuidade dos serviços de transporte sob a administração municipal.
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