Cientistas do Instituto Sklifosovsky de Medicina de Emergência, em Moscou, desenvolveram um gel experimental que permitiu a três porcos voltarem a andar após terem a medula espinhal completamente seccionada. O estudo, detalhado na revista PLOS One em 10 de junho, demonstrou a eficácia da substância na reconexão de fibras nervosas rompidas. A técnica utiliza um composto químico projetado para unir membranas celulares danificadas de forma imediata.
Gel reconecta medula espinhal
O experimento utilizou cinco porcas da raça Mangalica Húngara submetidas a cirurgias para o corte total da medula. Enquanto três animais receberam a aplicação do gel no local da lesão, os outros dois passaram pelo mesmo procedimento cirúrgico sem o tratamento. Todos os espécimes participaram de um programa de reabilitação idêntico, composto por massagens diárias nas patas e estimulação elétrica muscular.
Os resultados mostraram que os três porcos tratados recuperaram a sensibilidade em apenas dois dias após a intervenção. No quinto dia, os animais já apresentavam controle da bexiga e, após dois meses, conseguiam caminhar utilizando os quatro membros. Em contraste, os dois animais do grupo de controle não demonstraram qualquer recuperação de movimentos ou funções motoras durante o período de observação.
Pesquisa russa restaura movimentos
A equipe de pesquisadores explicou que o gel, denominado Neuro-PEG, combina polietilenoglicol e quitosana para atuar como um fusógeno. Essa substância química aproxima as superfícies das fibras nervosas e as mantém unidas até que a membrana se feche naturalmente. O mecanismo busca replicar processos biológicos observados em animais invertebrados, que possuem a capacidade de unir nervos lesionados sem a formação de cicatrizes extensas.
A medicina enfrenta há décadas o desafio das lesões medulares, que geralmente resultam em cicatrizes e cistos que bloqueiam a regeneração nervosa. O uso de fusógenos representa uma tentativa de contornar essa barreira física, permitindo que os sinais cerebrais alcancem novamente as partes do corpo abaixo da lesão. A tecnologia, embora promissora, ainda exige novas etapas de testes rigorosos antes de qualquer aplicação em seres humanos.
Tratamento experimental em porcos
O tratamento aguarda novas fases de pesquisa para validar a segurança e a eficácia em larga escala. Os cientistas reforçam que a técnica ainda não está disponível para uso clínico e deve passar por avaliações adicionais antes de ser considerada uma opção terapêutica. O estudo completo pode ser consultado na plataforma científica PLOS One para detalhes técnicos sobre o procedimento.
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