Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ, e pesquisadores internacionais publicaram, em 21 de junho de 2026, um estudo sobre um pterossauro da Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE). O trabalho, coordenado por Kellner, descreve a preservação de tecidos moles e esteroides em um exemplar de Anhangueridae com cerca de 8 metros de envergadura.
fósseis preservados
A pesquisa identificou bactérias oxidantes de enxofre como agentes responsáveis por um processo de mineralização rápida que selou o fóssil em menos de dias. Análises de tomografia 3D, geoquímica isotópica, microscopia eletrônica e espectrometria de massa confirmaram a presença de sulfatos, fosfatos e carbonatos formando camadas protetoras. O estudo contou com 15 instituições de Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos, reforçando a importância global da Bacia do Araripe como sítio fossilífero.
Os dados apontam que o fóssil tem 113 milhões de anos, idade típica do Cretáceo Superior. A mineralização ocorreu em múltiplas fases, com precipitação de sulfatos e fosfatos em microambientes criados pela decomposição inicial. As análises detectaram traços de esteroides, indicando provável dieta baseada em peixes ou lulas. O exemplar, depositado no Museu de Plácido Cidade Nuvens, pertence ao grupo Anhangueridae, cujas envergaduras podem ultrapassar 10 metros; este indivíduo media 8 metros.
micróbios sulfurosos
“A preservação desse pterossauro é extraordinária. Estamos falando de tecidos e moléculas que, em condições normais, desapareceriam em poucos dias”, afirmou o paleontólogo Alexander Kellner. A professora Klitin Grici, diretora do Centro de Geoquímica Orgânica e Isotópica da Universidade Curtin, destacou: “Detectamos traços de esteroides pela primeira vez em um pterossauro, o que reforça a hipótese de alimentação piscívora”. O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, acrescentou que o achado “muda nossa compreensão sobre como fósseis excepcionais se formam”.
O setor científico brasileiro ganha visibilidade internacional ao demonstrar que microrganismos podem criar microambientes capazes de preservar biomoléculas por mais de 100 milhões de anos. A parceria de longa data entre o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Regional do Cariri, reforçada pelo Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, evidencia a capacidade do país de liderar pesquisas de ponta em paleontologia.
Bacia do Araripe
Próximos passos incluem a análise detalhada dos esteroides para reconstruir a cadeia alimentar dos pterossauros e a aplicação do modelo microbiano a outros sítios fossilíferos da América do Sul. Os autores planejam publicar os protocolos de extração e caracterização em revistas especializadas, permitindo que laboratórios globais reproduzam o método.
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