O neurologista Diogo Haddad, do Alta Diagnósticos em São Paulo, define o sonilóquio como uma ativação parcial de áreas cerebrais ligadas à linguagem. O fenômeno ocorre sem o despertar completo do indivíduo, permitindo a emissão de sons ou frases estruturadas durante o repouso. A condição, embora curiosa, é classificada tecnicamente como uma parassonia, um grupo de comportamentos considerados anormais durante o sono.
Causas do sonilóquio
O comportamento manifesta-se tanto na fase REM, onde os sonhos são mais vívidos, quanto no sono não REM. Segundo Diogo Haddad, a ocorrência não indica necessariamente uma doença neurológica, sendo mais frequente na infância e na adolescência. Contudo, a persistência de movimentos violentos ou quedas da cama exige uma avaliação médica especializada para descartar outros transtornos.
Estudos indicam que mais de dois terços da população mundial apresentarão episódios de fala durante o sono ao longo da vida. O psiquiatra Bruno Pascale Cammarota, que atende no Rio de Janeiro, aponta que o estresse e a ansiedade mantêm o organismo em estado de alerta. Esse processamento emocional contínuo durante a noite potencializa a frequência das vocalizações, especialmente em quadros associados à depressão.
Diagnóstico de parassonia
Diogo Haddad alerta que, quando o indivíduo passa a encenar sonhos com movimentos intensos e vocalizações frequentes, é importante uma avaliação especializada. O psiquiatra Bruno Pascale Cammarota reforça que o sono funciona como um espaço de processamento emocional e, quando a mente está sobrecarregada, manifestações surgem de forma evidente. A investigação médica torna-se recomendada quando os episódios surgem pela primeira vez na vida adulta ou causam sonolência excessiva durante o dia.
O cidadão que apresenta alterações importantes no padrão de sono deve buscar orientação profissional para identificar gatilhos específicos. Fatores externos, como o uso de substâncias estimulantes, também exercem influência direta sobre a qualidade do descanso noturno. A identificação precoce de distúrbios associados permite que o paciente receba o tratamento adequado para reduzir a frequência das manifestações noturnas.
Impacto da ansiedade no sono
O acompanhamento clínico é essencial caso o sonilóquio seja acompanhado por sintomas como quedas da cama ou alterações severas na rotina. A busca por especialistas em medicina do sono auxilia na diferenciação entre comportamentos inofensivos e quadros que necessitam de intervenção terapêutica ou medicamentosa.
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