Pesquisadores da Universidade McGill classificam cinco padrões biológicos de sono

O neurocientista Le Zhou e sua equipe da Universidade McGill, no Canadá, identificaram cinco subtipos distintos de padrões de sono em seres humanos. A descoberta, publicada na revista científica Nature Communications, desafia a classificação tradicional que dividia a população apenas entre notívagos e madrugadores. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026.

Classificação de sono

Para chegar a essa conclusão, os cientistas treinaram um algoritmo de aprendizado de máquina capaz de processar dados de 27 mil integrantes do UK Biobank. O sistema analisou neuroimagens, relatórios de saúde e questionários detalhados sobre os hábitos de vigília e descanso durante um ciclo de 24 horas. O estudo confirma que as variações nos padrões de sono possuem fundamentos biológicos observáveis diretamente no cérebro.

A classificação divide os indivíduos em cinco grupos específicos com características comportamentais e de saúde distintas. Os notívagos de alto desempenho possuem cognição superior, mas enfrentam desafios na regulação emocional e maior propensão a riscos. Já os notívagos vulneráveis apresentam maior tendência ao sedentarismo e riscos elevados para doenças cardíacas, diabetes e depressão. O grupo das corujas noturnas com viés masculino registra níveis mais altos de testosterona e maior consumo de substâncias como álcool, cigarro e cannabis.

Subtipos biológicos humanos

Os madrugadores também foram subdivididos em dois perfis principais pela pesquisa. O madrugador clássico exibe redes cerebrais mais eficientes, com menor consumo de tabaco e menor associação a comportamentos de risco. Por outro lado, o madrugador com predominância feminina apresenta maior probabilidade de sintomas depressivos, níveis reduzidos de testosterona e maior incidência de problemas menstruais. O neurocientista Le Zhou ressaltou que os participantes apresentam diferenças biológicas reais em suas imagens cerebrais que justificam essa nova categorização.

A sociedade moderna pode utilizar essas informações para compreender melhor como o ambiente, a genética e as variações hormonais influenciam a qualidade de vida. Fatores externos, como horários de trabalho rígidos e a exposição constante à luz artificial, interagem com esses cronotipos biológicos de maneiras complexas. A identificação desses perfis permite uma análise mais precisa sobre como o descanso afeta o funcionamento do corpo humano e o bem-estar geral.

Pesquisa Universidade McGill

Os pesquisadores pretendem utilizar esses dados como uma ferramenta para aprimorar diagnósticos e intervenções de saúde pública. O estudo reforça que o sono não é um comportamento uniforme, mas uma manifestação biológica variada que exige abordagens personalizadas. A equipe de Le Zhou continua a investigar como essas descobertas podem auxiliar no tratamento de distúrbios relacionados ao ciclo circadiano.

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