A gastro-hepatologista Natália Trevizoli, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, defende a realização de exames de sangue para detectar hepatites B e C em todos os adultos. A recomendação, divulgada nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, visa identificar infecções silenciosas antes que o fígado sofra danos irreversíveis. O rastreamento precoce é a estratégia principal para evitar o desenvolvimento de quadros clínicos graves, como a cirrose e o câncer hepático.
Triagem de hepatites virais
O hepatologista Rogério Alves, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, reforça que a ausência de sintomas não exclui a presença do vírus no organismo. O vírus da hepatite atua de forma lenta e progressiva, mantendo-se ativo por anos sem manifestações clínicas evidentes. A estratégia de rastreamento universal busca justamente alcançar pessoas infectadas que desconhecem a própria condição de saúde.
Grupos específicos exigem atenção redobrada e acompanhamento médico mais frequente devido à maior exposição aos vírus. A lista inclui pessoas vivendo com HIV, pacientes em hemodiálise, profissionais com risco ocupacional de contato com sangue e indivíduos privados de liberdade. Também devem buscar avaliação médica pessoas com múltiplos parceiros sexuais, usuários de drogas injetáveis ou inaladas e filhos de mães infectadas. Indivíduos que receberam transfusão de sangue ou transplante antes da implementação dos testes de triagem nos bancos de sangue compõem o grupo de risco.
Exames para hepatites B e C
Natália Trevizoli afirma que o rastreamento precoce permite identificar a infecção antes do surgimento de danos irreversíveis ao órgão. Segundo a médica, quem mantém exposição contínua aos fatores de risco deve repetir os exames anualmente ou conforme orientação profissional. Rogério Alves destaca que o exame permite identificar a infecção antes que surjam complicações, aumentando significativamente as chances de um tratamento eficaz. O diagnóstico inicial é realizado por meio de exames de sangue, como os testes HBsAg, anti-HBs e anti-HBc total para hepatite B.
O sistema de saúde brasileiro prioriza o rastreamento como medida de controle epidemiológico diante da evolução silenciosa das doenças hepáticas. A detecção tardia frequentemente ocorre quando o paciente já apresenta complicações avançadas, o que sobrecarrega os serviços de assistência médica. O acompanhamento periódico de enzimas hepáticas alteradas é fundamental, mesmo em pacientes que não apresentam qualquer sinal de alerta ou sintoma físico.
Diagnóstico precoce de doenças hepáticas
Os interessados em realizar a triagem devem procurar unidades básicas de saúde ou laboratórios de referência para solicitar os testes de rotina. A orientação médica é o caminho seguro para interpretar os resultados e definir a necessidade de acompanhamento especializado. Informações adicionais sobre a rede de atendimento podem ser consultadas diretamente nos portais oficiais do Ministério da Saúde em gov.br/saude.
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