Mauro Vieira aponta risco militar dos EUA no Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou o Congresso Nacional sobre a possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro. O posicionamento oficial consta em documentos enviados aos deputados federais Evair Vieira de Melo e Capitão Alberto Neto nos dias 1º de julho e 29 de maio, respectivamente.

Risco militar dos EUA

A preocupação do Itamaraty decorre da decisão estadunidense de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Segundo Mauro Vieira, essa medida unilateral pode servir de justificativa para ações extraterritoriais que afetam a soberania nacional. O chanceler enfatizou que o governo brasileiro não recebeu comunicação formal prévia sobre a intenção dos Estados Unidos em adotar tal classificação.

O impacto da medida abrange as esferas financeira, migratória e penal, elevando os custos de conformidade para empresas e para o sistema financeiro nacional. O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos já sancionou duas pessoas e três empresas brasileiras sob a acusação de vínculos com o Primeiro Comando da Capital. O ministro avalia que a reclassificação tende a militarizar a agenda regional de combate ao crime organizado, prejudicando a cooperação policial entre os dois países.

Soberania nacional e terrorismo

Mauro Vieira afirmou em texto enviado ao Legislativo que a classificação não traz benefícios concretos para a segurança. O chanceler destacou que a medida introduz uma confusão entre o crime organizado e o terrorismo, fenômenos que possuem distinções claras na legislação brasileira. O ministro reforçou que a ação pode penalizar atividades lícitas e gerar impactos relevantes sobre a soberania do Brasil.

O sistema financeiro nacional enfrenta agora uma nova camada de incertezas devido à possibilidade de medidas administrativas e judiciais unilaterais. Empresas brasileiras que mantêm relações comerciais internacionais podem sofrer sanções baseadas na interpretação da legislação de contraterrorismo dos Estados Unidos. A soberania brasileira é colocada em xeque, conforme a avaliação do Ministério das Relações Exteriores, diante da amplitude dos termos aplicados pelo governo estadunidense.

Sanções contra empresas brasileiras

O Itamaraty mantém o monitoramento dos desdobramentos das sanções impostas pelo Departamento de Tesouro dos Estados Unidos. O governo brasileiro busca esclarecimentos sobre as intenções de Washington em relação às ações extraterritoriais mencionadas nas respostas aos parlamentares. O Ministério das Relações Exteriores continua a avaliar os impactos da classificação na cooperação jurídica e policial entre as nações.

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