A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange no dia 4 de julho de 2026 para investigar uma rede de lavagem de dinheiro. O inquérito, que soma 79 páginas, apresenta apenas uma menção ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em todo o seu conteúdo. A ação policial mirou os mesmos alvos sancionados pelo governo dos Estados Unidos em 1º de julho de 2026 por suposta ligação com a facção.
Investigação da Polícia Federal
O documento da Polícia Federal detalha uma estrutura complexa de ocultação de bens, mas não confirma o elo com o grupo criminoso citado pelos americanos. Victor Henrique de Oliveira Shimada, que está foragido, e Stella Stefanie de Oliveira, que foi presa, figuram como investigados centrais. O grupo é acusado de movimentar aproximadamente R$ 10,3 bilhões através de uma engrenagem financeira que utiliza criptoativos e o sistema de dólar-cabo.
A única referência ao PCC no relatório policial ocorre durante a transcrição de uma conversa entre Victor Henrique de Oliveira Shimada e Carlos Henrique Costa Almeida. Na ocasião, Carlos Henrique Costa Almeida questiona sobre a venda de euros para um suposto ex-membro da facção que buscava receber cerca de R$ 1 milhão no Brasil. O texto da investigação enfatiza que a menção trata de um indivíduo que não integra mais a organização criminosa.
Sanções dos Estados Unidos
O promotor Lincoln Gakya, integrante do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e especialista no combate ao PCC, negou a existência de ligação entre os investigados e a facção antes mesmo da deflagração da operação. A divergência de informações coloca em xeque a base utilizada pelo governo de Donald Trump para classificar a rede como narcoterrorista. O diretor da Polícia Federal afirmou que a sanção imposta pelos Estados Unidos atrapalhou o andamento das diligências brasileiras.
O esquema financeiro operado por Victor Henrique de Oliveira Shimada envolvia a utilização de empresas de fachada e laranjas para pulverizar depósitos bancários. A rede de lavagem de dinheiro, segundo as autoridades americanas, possuía facilitadores baseados na Flórida e em São Paulo, como Ygor Fokin Saviolli. O impacto econômico da operação reflete a preocupação das autoridades com a movimentação de valores bilionários por meio de ativos digitais e conversões cambiais irregulares.
Operação Exchange contra lavagem
As autoridades brasileiras continuam o rastreamento dos valores e a busca por Victor Henrique de Oliveira Shimada. O inquérito segue sob sigilo para garantir a continuidade da coleta de provas sobre a rede de lavagem de dinheiro.
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