O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (30/6/2026), em Assunção, no Paraguai, a abertura de negociações comerciais entre o Mercosul e a China. O anúncio ocorreu durante a Cúpula de Chefes de Estado do bloco, que reuniu representantes do Chile, Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia.
Negociações comerciais do Mercosul
O encontro marcou a transição da presidência do bloco, com o Paraguai encerrando seu ciclo e o Uruguai assumindo o comando pelos próximos seis meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o evento para criticar o que classificou como alinhamentos automáticos entre nações, defendendo a autonomia estratégica dos países sul-americanos. A ausência do presidente da Argentina, Javier Milei, foi notada após o cancelamento da viagem em meio à renúncia de Manuel Adorni, chefe de gabinete da Casa Rosada, investigado por suposto enriquecimento ilícito.
O histórico de integração do bloco mostra um crescimento expressivo, com o comércio intrabloco saltando de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025. As exportações totais atingiram a marca de US$ 770 bilhões no último ano, registrando uma alta de 6%. O governo brasileiro oficializou o compromisso de destinar US$ 100 milhões anuais ao novo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), durante o período de uma década, visando reduzir desigualdades regionais.
Lula defende parceria com China
“Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva ao questionar escolhas excludentes na política externa. O presidente destacou ainda que o projeto de integração deve superar divergências ideológicas para fortalecer mecanismos de cooperação. Antes de iniciar os debates, o líder brasileiro solicitou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos ocorridos na Venezuela.
O Mercosul enfrenta desafios impostos pela fragmentação da economia mundial e pelo aumento do protecionismo global. O novo Focem surge como uma ferramenta estratégica para integrar a Bolívia e diminuir as assimetrias econômicas entre os membros. O Brasil mantém pressão sobre a Argentina para que o país vizinho também eleve sua contribuição financeira ao fundo, enquanto o Paraguai sugere aportes 50% superiores aos valores praticados anteriormente.
Fundo Focem recebe aporte brasileiro
As negociações do bloco avançam agora para parcerias com o Canadá, Índia e Vietnã, além do lançamento oficial da parceria econômica com o Japão. O governo brasileiro busca consolidar o Mercosul como um espaço institucional relevante em um cenário internacional marcado por conflitos e ações unilaterais.
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