O pesquisador Jader de Oliveira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), identificou uma espécie de inseto barbeiro encontrada em um hotel de Lisboa, em Portugal. O achado ocorreu em agosto de 2025, quando um casal de turistas norte-americanos localizou o animal dentro de uma acomodação. O estudo científico sobre o caso foi publicado neste mês na revista especializada Parasites & Vectors.
Identificação de barbeiro
A espécie identificada pelo cientista de São Paulo é a Hospesneotomae protracta, nativa de regiões desérticas do sudoeste dos Estados Unidos e do norte do México. O inseto, embora não estivesse infectado pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, representa o primeiro registro de um barbeiro vivo encontrado em solo europeu. Análises genéticas confirmaram a classificação feita inicialmente por meio de características morfológicas observadas pelo especialista da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF).
O transporte do inseto até o continente europeu ocorreu, segundo a hipótese principal, por meio de bagagens ou compartimentos de carga comercial. A espécie possui porte pequeno e o hábito de se esconder em frestas, o que facilitou o deslocamento a partir da Califórnia. O pesquisador Jader de Oliveira ressalta que a descoberta exige vigilância constante, pois a dispersão passiva de vetores pode ocorrer em escalas globais.
Pesquisa da Unesp
“Demonstra a relevância internacional do conhecimento produzido no Brasil sobre triatomíneos”, afirmou Jader de Oliveira sobre a participação da Unesp na resolução do caso. O cientista destacou que, mesmo com uma equipe composta majoritariamente por pesquisadores norte-americanos, o suporte técnico brasileiro foi decisivo para a identificação precisa do espécime. A colaboração reforça a necessidade de monitoramento contínuo em áreas que não são consideradas endêmicas para a doença.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que milhares de pessoas infectadas pelo parasita residam atualmente na Europa devido aos fluxos migratórios internacionais. O continente não apresenta transmissão natural da doença de Chagas, mas a presença de vetores invasores altera o cenário de risco sanitário. A vigilância em saúde deve, portanto, expandir o foco para além das regiões onde os insetos surgem naturalmente, conforme orientações de especialistas da área.
Doença de Chagas em Portugal
O monitoramento de insetos suspeitos permanece como a principal recomendação para a saúde pública. Moradores e viajantes devem encaminhar exemplares encontrados em ambientes domésticos para as unidades de saúde mais próximas, permitindo a análise técnica e o controle de possíveis focos de infestação. A identificação precoce de espécies invasoras é fundamental para evitar a adaptação desses animais em novos ecossistemas e prevenir riscos à população.
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