Governo adia aumento de impostos para carros elétricos

O governo federal reverteu a decisão de elevar a alíquota de importação para veículos eletrificados, que deveria atingir 35% a partir de 1º de julho. A medida, tomada nos corredores de Brasília, suspende o aumento previsto para modelos prontos e altera o planejamento estratégico das montadoras que operam no Brasil. A mudança impacta diretamente a competitividade entre marcas que dependem de importações e empresas que possuem linhas de montagem locais.

Imposto de importação

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) manifestou descontentamento com a manutenção das cotas de isenção para modelos produzidos em regime CKD e SKD. A entidade avalia judicializar a questão, argumentando que a alteração compromete a previsibilidade dos negócios das fabricantes locais. Essas empresas haviam anunciado investimentos de R$ 140 bilhões baseadas na promessa de um mercado protegido contra a entrada agressiva de veículos estrangeiros.

O cenário atual beneficia marcas como BYD e GM, que utilizam as cotas de isenção para ampliar sua participação no mercado brasileiro. A decisão contraria o objetivo central do programa Mover, que busca incentivar a nacionalização de componentes e tecnologias de propulsão avançadas. Fabricantes que investiram em parcerias industriais, como a colaboração entre Omoda Jaecoo e JLR ou entre Geely e Renault, enfrentam agora uma concorrência fortalecida por custos de produção menores.

Programa Mover

O jornalista Leo Contesini destaca que a reversão da alíquota traz imprevisibilidade ao cronograma do programa Mover. A medida afeta diretamente as empresas que aceleraram o início de suas linhas de montagem no país para evitar a taxação elevada. O setor automotivo aguarda agora novos desdobramentos sobre a política tarifária, enquanto a Anfavea mantém a pressão por medidas que garantam a proteção da indústria nacional contra os importados.

A indústria automotiva brasileira enfrenta um momento de reajuste estratégico diante da flexibilização das regras de importação. O mercado de elétricos, que cresceu com a entrada de novos players asiáticos, torna-se o centro de uma disputa entre a necessidade de nacionalização e a demanda por preços competitivos. A manutenção das tarifas atuais permite que importadores continuem operando com margens mais agressivas, desafiando a viabilidade dos projetos de produção local que dependem de barreiras tarifárias para se consolidar.

Anfavea e elétricos

A Anfavea deve formalizar nos próximos dias os procedimentos jurídicos para contestar a renovação das cotas de isenção. O governo federal ainda não detalhou se haverá novas compensações para as montadoras que já iniciaram o processo de nacionalização de componentes. O acompanhamento das atualizações do programa Mover pode ser realizado diretamente através do portal oficial do governo em gov.br.

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