Entidades hoteleiras denunciam Booking.com ao Cade por taxas

Seis entidades nacionais do setor de turismo e hospitalidade protocolaram uma representação formal junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta terça-feira, 23 de junho de 2026. A ação contesta a decisão da plataforma Booking.com de elevar a taxa de comissão preferencial para 18% a partir do dia 1º de julho. O grupo busca a suspensão imediata do reajuste, alegando falta de negociação prévia e impacto severo na operação dos estabelecimentos.

Denúncia contra Booking.com

A medida imposta pela Booking.com altera as taxas atuais, que variam entre 15% e 16%, para o patamar fixo de 18% sobre o valor bruto das reservas. Hotéis que optarem por não aderir ao novo percentual sofrerão perda de posicionamento nos resultados de busca da plataforma, o que reduz diretamente a visibilidade e a taxa de ocupação. A Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), presidida por Alexandre Sampaio, liderou as tentativas de diálogo antes de recorrer ao órgão antitruste.

O impacto financeiro do reajuste é significativo para os negócios, conforme demonstram os cálculos das associações. Um hotel com receita mensal de R$ 150 mil, que dependa da plataforma para metade de suas reservas, enfrentará um custo adicional anual de R$ 27 mil apenas em comissões. Para estabelecimentos independentes, onde a dependência da Booking.com supera 70% do volume de vendas, a compressão das margens operacionais torna-se ainda mais crítica.

Taxas de hotéis no Cade

Alexandre Sampaio, na qualidade de presidente da FBHA, coordenou o envio do ofício nº 045/2026, que propunha o adiamento da vigência da nova taxa para 1º de janeiro de 2027. A plataforma respondeu com justificativas genéricas sobre melhorias de infraestrutura e novas soluções financeiras, sem detalhar prazos ou benefícios concretos aos parceiros. As entidades consideram os argumentos insuficientes e apontam que a empresa trata o mercado brasileiro de forma unilateral e sem transparência.

O setor hoteleiro enfrenta um cenário de alta pressão econômica, marcado pela volatilidade do mercado global de viagens e pelo aumento das tarifas aéreas. A implementação da Reforma Tributária, com os novos impostos IBS e CBS, somada às incertezas sobre a regulamentação das jornadas de trabalho, agrava a situação financeira dos hotéis. A Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS), o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional), a Associação Brasileira de Resorts (ABR) e a Brasil Luxury Travel Association (BLTA) compõem o bloco de denunciantes.

Reajuste de comissões hoteleiras

O processo no Cade segue agora para análise técnica das autoridades competentes, enquanto o setor aguarda uma definição sobre a suspensão do reajuste. A Booking.com não apresentou novos posicionamentos após a formalização da denúncia pelas entidades. A expectativa dos hoteleiros é que o órgão regulador intervenha para evitar a aplicação da nova taxa de 18% já no início do próximo mês.

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