Brasileiros rejeitam mudanças no Pix sob pressão americana

O instituto Ipsos-Ipec divulgou nesta sexta-feira (26/6) um levantamento sobre a percepção popular acerca do Pix. A sondagem ouviu 2 mil pessoas com 16 anos ou mais em todo o país entre os dias 13 e 17 de junho. O estudo avalia o engajamento dos usuários com a plataforma desenvolvida pelo Banco Central diante das recentes tensões diplomáticas.

Aprovação do Pix

A administração de Donald Trump ameaçou aplicar taxas de 25% sobre produtos brasileiros sob o argumento de que o sistema de pagamentos prejudica empresas americanas do setor. O governo brasileiro, por meio do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo Durigan, mantém a posição de que o modelo não está em negociação. A disputa coloca em xeque a autonomia da ferramenta financeira que se tornou essencial para a rotina de pagamentos no Brasil.

Os dados mostram que 93% dos entrevistados aprovam o funcionamento do sistema, enquanto 82% utilizam a plataforma regularmente para transferências. Sobre a pressão externa, 73% dos brasileiros defendem que o Pix deve ser mantido sem qualquer interferência estrangeira. Apenas 19% dos ouvidos acreditam que o governo deveria realizar pequenas adaptações para evitar conflitos com a gestão de Donald Trump, sendo que 8% não souberam ou não responderam.

Pressão de Donald Trump

O secretário Gabriel Galípolo Durigan afirmou categoricamente ao portal Metrópoles que o sistema não pode estar em negociação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou publicamente sobre o tema ao exibir um cartaz com a frase “Pix é do Brasil”. O governo federal sustenta que a soberania sobre a infraestrutura de pagamentos é inegociável, apesar das ameaças de retaliação comercial anunciadas pelos Estados Unidos.

O perfil dos eleitores que sugerem mudanças no sistema indica uma correlação política específica dentro da amostra pesquisada. Entre os que apoiam adaptações para evitar atritos com os norte-americanos, 21% declararam ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno das últimas eleições presidenciais. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Pesquisa Ipsos-Ipec

A manutenção do Pix sem alterações permanece como a diretriz oficial do governo brasileiro diante das exigências americanas. O Banco Central continua monitorando o impacto das ameaças de taxas sobre a economia nacional. Novas definições sobre o impasse comercial dependem das próximas rodadas de diálogo entre as equipes diplomáticas do Brasil e dos Estados Unidos.

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