O fotógrafo Walisson Braga exibe 35 imagens sobre a vida no Quilombo Mesquita na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. A exposição, aberta ao público nesta semana, conta com a colaboração dos fotógrafos Luiz Alves e Webert da Cruz. O projeto faz parte da programação do Festival Latinidades, que celebra os 280 anos da comunidade localizada na Cidade Ocidental, em Goiás.
Fotos no Quilombo Mesquita
As fotografias documentam o cotidiano e a luta das famílias quilombolas pela preservação de suas tradições no cerrado goiano. A mostra destaca a figura de Elpídia Pereira, matriarca da comunidade, como símbolo da resistência feminina e guardiã dos saberes ancestrais. O território abriga atualmente 785 famílias, totalizando mais de três mil pessoas que dependem da terra para manter o cultivo do marmelo.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu em dezembro de 2025 que o território possui 4,1 mil hectares. Esta área é 80% maior do que a ocupada atualmente pelos moradores. A expectativa oficial é que a demarcação definitiva da terra ocorra até o final de 2026. A liderança comunitária Sandra Braga afirma que a ausência de titulação facilita a apropriação de terras por produtores de soja.
Festival Latinidades em Brasília
Walisson Braga ressalta a importância do registro visual como estratégia de resistência para o seu povo. O fotógrafo afirma que a preservação da herança ancestral é a base do modo de vida dos quilombolas. A liderança Sandra Braga reforça que a luta pela terra é essencial para garantir a continuidade das tradições, como a produção de geleias e marmelada.
O Festival Latinidades promove diversas atividades culturais voltadas à conscientização sobre saúde mental e produção artística. A programação inclui apresentações no Museu Nacional da República, como o Festival Humor Negro e discussões com as artistas Linn da Quebrada e Karol Conká. A mediação dos debates será realizada por Val Benvindo, com a participação da escritora Ana Maria Gonçalves no encerramento do evento.
Demarcação de terras quilombolas
Os interessados em conferir a agenda completa das atividades podem acessar o site oficial do Festival Latinidades. A organização cultural Universidade Afrolatinas coordena as ações que ocorrem até o final desta semana na capital federal. O programa Descansa Nêga, do Fundo Agbara, também integra as ações de partilha de memórias afetivas.
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