O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou nesta quarta-feira (1/7) a empresa Victory Trading por vínculos com a facção criminosa PCC. A companhia é investigada por participar de um esquema de lavagem de dinheiro que utilizou o Corinthians como fachada para movimentações financeiras ilícitas.
Victory Trading e PCC
O governo americano aponta que Victor Shimada, proprietário da Victory Trading, atuou como peça central na rede de lavagem de dinheiro que operava entre São Paulo e a Flórida. O empresário foi preso pela Polícia Federal em janeiro de 2025 sob acusação de desviar recursos de um clube de futebol brasileiro, sendo liberado duas semanas depois. A investigação sobre o caso Vai de Bet no Corinthians ganhou força após a delação de Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo.
A rede criminosa liderada por Victor Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira movimentou mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos. O esquema utilizava criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC, dificultando o rastreio das autoridades. No Corinthians, o contrato de patrocínio com a Vai de Bet, assinado em janeiro de 2024, previa o pagamento de R$ 370 milhões ao longo de três anos. Cerca de R$ 25 milhões desse montante foram destinados a empresas intermediárias, incluindo a UJ Football, citada nas denúncias de Vinícius Gritzbach.
Escândalo financeiro no Corinthians
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos descreve Victor Shimada como um elo fundamental entre agentes do PCC baseados nos Estados Unidos e traficantes de drogas estrangeiros. O órgão federal americano afirma que o empresário, residente em São Paulo, utilizou a estrutura de patrocínio do clube para legitimar fundos provenientes do narcotráfico. O FBI prendeu seis membros do grupo sediado na Flórida em janeiro de 2026, intensificando o cerco contra a organização criminosa.
O escândalo impacta diretamente a gestão do ex-presidente corintiano Augusto Melo, que enfrenta questionamentos sobre a transparência dos contratos firmados pelo clube. A Polícia Civil de São Paulo conduz o inquérito principal sobre o caso Vai de Bet, enquanto a Polícia Federal e agências internacionais investigam a infraestrutura transnacional da fraude. O Corinthians permanece sob escrutínio de órgãos de controle devido à utilização de sua marca em uma teia complexa de empresas de fachada.
Sanções do Tesouro Americano
As autoridades americanas mantêm as sanções contra os envolvidos e prosseguem com o monitoramento das contas ligadas ao PCC no exterior. O governo dos Estados Unidos disponibiliza a lista completa de pessoas e empresas sancionadas por vínculos com organizações criminosas em seu portal oficial no endereço home.treasury.gov.
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