Tenente Ronald Camacho afirmou que a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento tentou “ditar ideologia” ao recusar a retirada de um desenho de orixá feito por uma aluna de quatro anos. A fala foi capturada pela câmera corporal de um dos policiais que compareceram à escola em 12 de novembro de 2025, na zona sul de São Paulo.
A intervenção ocorreu após o pai da criança, identificado como policial, ligar para a Polícia Militar reclamando que sua filha estava sendo “obrigada a ter aula de uma religião diferente da sua”. Segundo a reportagem, os policiais chegaram à Emei armados com fuzis de calibre pesado, o que assustou os pequenos presentes. O tenente Ronald Camacho repetiu a queixa do pai e, ao ser confrontado pela diretora, declarou que não conversaria naquele momento e que tomaria “medida administrativa” caso fosse necessário.
A diretora, Maria Aparecida de Souza, relatou à Polícia Civil que havia solicitado apoio da Guarda Civil Municipal (GCM) no dia anterior devido ao comportamento agressivo do pai. Ela explicou que a atividade fazia parte de um projeto curricular baseado na Lei Federal 10.639, que obriga o ensino da história e cultura afro‑brasileira nas escolas. O pai, cristão, teria exigido que a menina fosse “privada dessas aulas que envolvem religião”. A diretora descreveu que o pai “coagiu a professora, gritou, apontou o dedo no rosto dela e arrancou o desenho da criança”.
Durante a conversa, o tenente Ronald Camacho citou a Lei Federal 13.796/2019, que estabelece que o ensino religioso é facultativo, como argumento para a suposta imposição ideológica. Uma inspetora da Polícia Militar reagiu ao comentário do tenente com um sinal negativo, interrompendo a discussão.
A repercussão nacional aumentou quando o Metrópoles divulgou as imagens das bodycams, mostrando a tensão entre os agentes e a diretora. O caso reacendeu o debate sobre a aplicação das leis 10.639 e 13.796 nas escolas públicas, especialmente em contextos onde pais contestam conteúdos considerados religiosos ou culturais. Organizações de direitos humanos e sindicatos de professores manifestaram preocupação com a presença de armamento pesado em ambientes escolares e com possíveis violações de direitos das crianças.
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente. A Polícia Civil continua investigando a conduta dos policiais e a eventual responsabilidade da diretora, enquanto a comunidade escolar aguarda definição sobre a continuidade do projeto cultural.
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