Senadores debatem fim da escala 6x1 no Brasil

O governo federal, representantes sindicais e empresários discutiram nesta quarta-feira (1º) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 no Senado Federal. A audiência pública ocorreu no plenário da Casa, onde o texto permanece parado há mais de um mês na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Debate sobre escala 6×1

A proposta legislativa busca instituir dois dias de descanso semanal e reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem qualquer redução salarial. Líderes patronais dos setores de comércio, transportes e indústria manifestaram oposição ao projeto, sob o argumento de que a mudança elevaria os custos operacionais e prejudicaria a economia nacional. O grupo defende que a definição da jornada ocorra exclusivamente por meio de negociação direta entre empregados e empregadores.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, rebateu as críticas ao citar um estudo do Ipea que projeta um impacto de 7,8% nos custos, valor que ele considera proporcional aos reajustes do salário mínimo. O ministro afirmou que o mercado de trabalho brasileiro absorveu aumentos salariais anteriores sem gerar falências ou desemprego. Guilherme Boulos ressaltou que o país registra atualmente a menor taxa de desemprego da série histórica.

Impactos econômicos da jornada

O presidente da Federação de Comércio de São Paulo, Ivo Dall’Acqua, defendeu que o foco do debate deveria ser o aumento da produtividade econômica antes da redistribuição de renda. Em contrapartida, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, argumentou que os ganhos econômicos acumulados nas últimas quatro décadas devem ser repartidos com a classe trabalhadora. A divergência entre os setores reflete o impasse sobre os efeitos da medida no Produto Interno Bruto e na inflação.

A saúde dos trabalhadores compõe o argumento central dos defensores da PEC, que apontam o esgotamento físico e mental como um problema crescente. Em 2025, o Brasil registrou 4,1 milhões de afastamentos temporários por motivos de saúde, um aumento de 15% em relação ao ano de 2024. As principais causas identificadas foram lesões nos discos intervertebrais, dores nas costas e transtornos mentais, como depressão, ansiedade e burnout.

Saúde mental dos trabalhadores

A tramitação da PEC segue travada na mesa de Davi Alcolumbre, sem previsão de votação no plenário. O debate público continua como o principal canal de pressão política entre as centrais sindicais e as entidades patronais. Interessados em acompanhar as pautas legislativas e o andamento das propostas podem consultar o portal oficial do Senado Federal em www.senado.leg.br.

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