Polícia Federal investiga inflação de balanço no Digimais

A Polícia Federal aponta que o Digimais utilizou direitos creditórios originados em 1942 para inflar seus balanços financeiros em pelo menos R$ 670 milhões. A investigação detalha que a instituição adquiriu fatias de uma indenização devida pela União a herdeiros de sócios da antiga Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia. O caso tramita na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro e envolve ativos ligados à criação da Vale.

Fraude no Digimais

O esquema, segundo a Polícia Federal, consistia na compra de créditos por valores de mercado, seguida de uma remarcação astronômica nos livros contábeis do grupo de Edir Macedo. O ID 112 FIDC adquiriu 7,7% do crédito por R$ 9 milhões e transferiu o ativo para o Fundo Guidare, que o reavaliou para R$ 100 milhões. Operações similares foram realizadas com o Hermon FIDC, que comprou partes do crédito da Família Villela e as registrou por valores significativamente superiores aos pagos.

Os direitos creditórios, que custaram efetivamente R$ 71 milhões, foram registrados no balanço do grupo valendo R$ 741,3 milhões. A valorização artificial permitiu ao Digimais apresentar um patrimônio líquido robusto para captar recursos junto ao público por meio de CDBs. A disputa judicial original, iniciada em 1967 por acionistas como Gastão de Azevedo Villela, ainda aguarda liquidação após 42 anos de trâmite.

Créditos da Vale

A Família Villela busca há 59 anos a indenização referente a 7.000 ações da Vale, equivalentes a 3,5% da companhia, além de dividendos acumulados. O processo permanece sem conclusão devido à complexidade dos cálculos e à constante substituição de beneficiários decorrente do falecimento dos credores originais. A Polícia Federal compara o modus operandi da instituição ao caso do Banco Master ao analisar a estratégia de inflar ativos para atrair investidores.

O mercado financeiro e os investidores que aplicaram recursos em CDBs do Digimais enfrentam incertezas sobre a real saúde financeira da instituição. A prática de superavaliar ativos contábeis compromete a transparência exigida pelo sistema bancário nacional e expõe o patrimônio de quem confiou na solidez do banco. A ausência de atualização no processo judicial que corre na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro reforça a fragilidade da garantia utilizada pela instituição.

Investigação Polícia Federal

A investigação da Polícia Federal segue em curso para apurar a extensão das manobras contábeis e a responsabilidade dos envolvidos na gestão dos fundos. Não houve manifestação do Digimais até a publicação desta matéria sobre as acusações de fraude envolvendo os créditos da Família Villela.

Leia também:


📲 Quer ser o primeiro a saber? Siga @noticias.24horas.sp no Instagram — notícias da sua região, 24 horas por dia.

Publicidade