Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram um conjunto de proteínas do parasita Plasmodium capaz de viabilizar uma vacina universal contra a malária. A descoberta, divulgada em 1º de julho de 2026, aponta um caminho para proteger o corpo humano contra diferentes espécies do agente causador da doença. O trabalho científico foi publicado na revista Nature e detalha uma abordagem inovadora no combate à infecção.
Pesquisadores da Fiocruz
A equipe liderada pela pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, focou na atuação dos linfócitos T CD8+. Essas células de defesa possuem a capacidade de identificar e destruir diretamente as células infectadas pelo parasita. A estratégia diferencia-se dos imunizantes atuais, que concentram esforços majoritariamente na produção de anticorpos para combater o P. falciparum em crianças.
O levantamento mapeou 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita. A maioria desses fragmentos provém de proteínas denominadas housekeeping, essenciais para a sobrevivência do Plasmodium em todos os estágios de seu ciclo de vida. Por serem altamente conservadas entre diversas espécies, essas proteínas representam alvos estratégicos para o desenvolvimento de uma vacina que atue de forma ampla.
Vacina contra malária
“Há mais de 50 anos se busca desenvolver uma vacina contra a malária e, só recentemente, tivemos aprovados imunizantes com eficácia limitada”, afirmou Caroline Junqueira. A pesquisadora destacou que a identificação dos alvos vacinais sempre foi um dos maiores desafios da área. Segundo ela, a pesquisa confirmou a resposta imunológica em cinco espécies diferentes de parasitas e em múltiplos hospedeiros, incluindo humanos e modelos animais.
A malária permanece como um desafio global de saúde pública, com impactos diretos na mortalidade e na qualidade de vida em regiões endêmicas. A possibilidade de uma vacina que atinja o parasita em diferentes momentos da infecção promete alterar o cenário de controle da doença. O sucesso dos testes em órgãos-chave, como o fígado e o sangue, reforça o potencial da nova metodologia para futuras aplicações clínicas.
Estudo na revista Nature
Os resultados obtidos em modelos experimentais de camundongos e primatas demonstraram que os antígenos induziram uma resposta robusta de células T. A equipe de cientistas da Fiocruz segue analisando os dados para avançar nas etapas de desenvolvimento do imunizante. O estudo completo está disponível para consulta na base de dados da revista Nature.
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