A Universidade de São Paulo (USP) identificou que pacientes com diabetes enfrentam recuperação mais lenta e complicações persistentes após a infecção por Covid-19. O levantamento, publicado na revista Scientific Reports em abril de 2026, acompanhou 870 indivíduos durante sete meses após a alta hospitalar.
Sequelas da Covid em diabéticos
Os pesquisadores observaram que a diabetes atua como um agravante para a chamada Covid longa, exigindo acompanhamento médico prolongado. O estudo, realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), comparou 320 pacientes com diabetes mellitus a 550 pessoas sem a condição. Todos os participantes estiveram internados entre março e setembro de 2020, durante a primeira fase da pandemia.
Os dados revelam que apenas 89,8% dos pacientes com diabetes tiveram recuperação completa, enquanto o índice entre os não diabéticos atingiu 94,3%. O risco de quedas após a alta hospitalar foi de 21% entre os diabéticos, quase o dobro dos 11,1% registrados no grupo de controle. Além disso, 7,3% dos participantes sem diagnóstico prévio desenvolveram diabetes após a infecção, sugerindo uma possível relação entre o vírus e a destruição de células pancreáticas ou o desencadeamento da doença em predispostos.
Estudo da USP sobre diabetes
Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo, destaca a necessidade de políticas públicas específicas. Segundo a médica, o sistema de saúde deve priorizar essa população para evitar um ciclo constante de reinternações hospitalares. Ela reforça que a Covid-19 não representa apenas um risco na fase aguda, mas compromete a qualidade de vida e a capacidade física dos sobreviventes a longo prazo.
O sistema cardiovascular dos pacientes diabéticos sofre estresse adicional devido à inflamação sistêmica agravada pela toxicidade do coronavírus. Essa condição eleva a incidência de infarto e angina, além de reduzir a capacidade de realizar atividades físicas cotidianas. A fragilidade elevada e a diminuição de domínios cognitivos também foram apontadas como sequelas frequentes entre os analisados pelo grupo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Riscos cardíacos pós-Covid
O monitoramento contínuo dos sobreviventes permanece como a principal recomendação dos pesquisadores para mitigar os danos crônicos. A equipe científica defende a criação de protocolos de atendimento especializados que considerem as particularidades metabólicas dos pacientes diabéticos pós-Covid. Informações adicionais sobre pesquisas científicas podem ser consultadas diretamente no portal da FAPESP ou nas publicações da USP.
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