Parlamento Europeu aprovou, nesta terça‑feira 23 de junho de 2026, o plano de euro digital durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (ECON). A votação ocorreu em Estrasburgo, às 11h13, e contou com o apoio da maioria dos deputados.
A decisão abre caminho para as negociações finais entre o Parlamento, os governos nacionais e a Comissão Europeia. O Banco Central Europeu (BCE) conduzirá a infraestrutura da moeda, que será disponibilizada em versões on‑line e off‑line. O objetivo declarado é diminuir a dependência de provedores de pagamento norte‑americanos, como Visa, Mastercard, American Express, Apple Pay, Google Pay e PayPal.
O projeto, iniciado em 2021, enfrentou atrasos devido a divergências entre Estados‑membros e dentro do próprio Parlamento. A proposta original da Comissão Europeia data de 2023 e só foi concluída após mais de dois anos de debates. O relator Fernando Navarrete Rojas (PPE, ES) ressaltou que o euro digital complementará, mas não substituirá, o dinheiro em espécie, garantindo aos cidadãos opções de pagamento seguras e europeias.
> “Com o pacote da moeda única, estamos protegendo a liberdade dos cidadãos de escolherem como pagar”, afirmou Fernando Navarrete Rojas, relator da proposta.
> “Estamos reforçando o acesso e a aceitação do dinheiro em espécie, ao mesmo tempo que disponibilizamos o dinheiro do banco central em formato digital”, completou o deputado.
> “Ninguém deve ser forçado a abandonar o dinheiro em espécie, e ninguém deve ficar sem uma opção de pagamento digital segura, resiliente e genuinamente europeia”, concluiu.
O euro digital surge em resposta ao crescimento das stablecoins denominadas em dólares, impulsionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Autoridades europeias temem que a dependência de empresas norte‑americanas comprometa a soberania financeira da UE. A iniciativa também reflete a experiência brasileira com o Pix, que, embora seja um sistema de pagamentos instantâneos e não uma moeda eletrônica, demonstra a viabilidade de infraestrutura pública gerida por bancos centrais.
Nos próximos meses, o BCE conduzirá a fase de testes técnicos, enquanto os Estados‑membros definirão detalhes regulatórios. As negociações finais deverão concluir‑se antes do final de 2027, permitindo que a moeda digital seja lançada até 2029, conforme o cronograma aprovado.
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