Orquestra Ouro Preto gravou e lançou o primeiro volume do álbum Afrossinfonicidade ao lado de Carlinhos Brown em 21 de junho de 2026. A gravação ocorreu ao vivo no dia 18 de outubro de 2025, na Concha Acústica de Salvador. O segundo volume ficará disponível nas plataformas digitais a partir de 26 de junho.
O projeto nasce da parceria entre o maestro Rodrigo Toffolo, diretor artístico da Orquestra Ouro Preto, e o cantor‑compositor Carlinhos Brown, que trouxe para a sinfonia a percussão dos jovens do Candeal Pequeno, comunidade de Brotas, Salvador. Toffolo descreve a iniciativa como “um encontro afro‑sinfônico de verdade”, ao integrar a linguagem orquestral à batida característica dos músicos que Brown formou no grupo Timbalada. A gravação ao vivo contou com 78 músicos da orquestra e 12 percussionistas da comunidade.
O álbum recebeu o nome Afrossinfonicidade, neologismo criado por Brown para expressar a fusão entre sinfonias de cidades e raízes africanas. A escolha das faixas partiu do disco Alfagamabetizado, que celebra 30 anos de carreira de Brown. Segundo o artista, a canção “Frases Ventias” foi iniciada no Alfagamabetizado e concluída apenas com a orquestra, pois recebeu a letra final e arranjos orquestrais na colaboração. O primeiro volume já está nas plataformas digitais, enquanto o segundo será lançado em 26 de junho, ampliando a obra para 14 faixas.
“Quando você pega esses músicos e bota em uma orquestra, eles criam uma percussão, uma base e se juntam à música orquestral”, afirmou Rodrigo Toffolo, maestro da Orquestra Ouro Preto, em entrevista à Agência Brasil. Brown, por sua vez, elogiou a parceria ao dizer que “a música sinfônica é popular” e que a união traz “um outro viés mais adequado, a sensualidade do barroco brasileiro”. Ambos ressaltaram que o projeto demonstra a força da cultura popular ao dialogar com a tradição clássica.
A iniciativa reforça a valorização da música afro‑brasileira no cenário nacional, ao colocar jovens de comunidades vulneráveis em palco sinfônico. Historicamente, a Orquestra Ouro Preto tem promovido projetos de inclusão social, e a colaboração com Brown amplia esse compromisso ao destacar a herança africana que influenciou a formação de músicos e arquitetos no Brasil colonial. O álbum, gravado ao vivo, também evidencia a capacidade de produção de alto nível fora dos grandes centros, reforçando a relevância cultural de Salvador como polo musical.
Nos próximos dias, a Orquestra Ouro Preto divulgará a programação de apresentações ao vivo do segundo volume, prevista para ocorrer em Salvador e em cidades do interior de Minas Gerais. A expectativa é que a dupla continue a explorar novas sonoridades, potencializando projetos de educação musical nas comunidades do Candeal.
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