O tráfego de navios-tanque no Estreito de Ormuz diminuiu drasticamente nesta semana devido à escalada de conflitos militares entre o Irã e os Estados Unidos. Dados de monitoramento indicam que o fluxo diário de embarcações atingiu o nível mais baixo desde o dia 28 de junho, conforme informações da Kpler e da LSEG. A situação preocupa empresas de navegação que operam na região estratégica para o mercado global de energia.
Tráfego no Estreito de Ormuz
O cenário de instabilidade ocorre após ataques iranianos contra navios comerciais e ações retaliatórias das forças norte-americanas no Golfo Pérsico. Pelo menos 22 embarcações ligadas ao Japão deixaram a área desde a última terça-feira. Enquanto isso, navios como o GasLog Shanghai, controlado pela grega GasLog, e unidades da QatarEnergy, como o Al Samriya, o Al Dafna, o Al Gattara e o Al Rayyan, tiveram seus movimentos rastreados por plataformas especializadas.
A análise da Kpler aponta que apenas 10 navios transitaram pelo estreito na quinta-feira, dia 9 de julho. O volume representa uma queda expressiva em comparação aos 14 navios registrados na quarta-feira e aos 22 observados na segunda-feira, dia 6 de julho. Fontes do setor de navegação relatam que comandantes estão desligando transponders públicos para evitar a identificação durante a travessia, dificultando a precisão do rastreamento em tempo real.
Tensões entre Irã e EUA
O analista sênior de mercado da Vortexa, Xavier Tang, afirma que a estratégia iraniana mudou durante o conflito atual. Segundo o especialista, o Irã passou a focar ataques em navios que utilizam a rota de Omã, em vez de mirar todas as embarcações indistintamente. Essa mudança de comportamento força os operadores a buscarem rotas alternativas ou a transitarem de forma discreta para garantir a segurança da carga e da tripulação.
O setor de energia global enfrenta incertezas imediatas com a restrição da passagem, visto que o estreito é um corredor vital para o transporte de gás natural liquefeito e petróleo. O superpetroleiro Nissos Kea entrou na via navegável na quinta-feira, enquanto o Lila Vadinar completou a saída da região. A QatarEnergy e a GasLog não retornaram os contatos da redação para comentar as medidas de segurança adotadas por suas frotas diante da crise.
Impacto no mercado de energia
As autoridades dos Estados Unidos mantêm operações militares na região após confirmarem novos ataques contra alvos iranianos. O governo iraniano, por sua vez, declarou ter atingido alvos militares norte-americanos no Golfo Pérsico durante os confrontos recentes. O monitoramento das rotas permanece como prioridade para governos e empresas que dependem da logística marítima no Oriente Médio.
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