O historiador Saulo Carneiro localizou um registro oficial do Ministério da Fazenda que comprova a exportação de maconha produzida no estado de Alagoas em 1906. O documento, encontrado nos arquivos da Biblioteca Nacional, detalha uma transação comercial única que não apresentou recorrência em anos anteriores ou posteriores. O achado integra a pesquisa do livro Antes da Proibição: Quando a Maconha Era Remédio, com lançamento previsto para julho de 2026.
Exportação de maconha em Alagoas
O governo brasileiro incentivava o cultivo da planta no período, oferecendo distribuição de sementes e apoio a empreendimentos agrícolas voltados à cannabis. A exportação registrada em 1906 totalizou 40 mil réis, valor significativamente inferior aos 1,2 milhão de réis obtidos com a venda de algodão no mesmo período. O relatório financeiro, que servia como balancete de commodities, não especifica as fazendas produtoras nem o destino internacional da mercadoria. Saulo Carneiro avalia que a baixa rentabilidade comparada a culturas como cana-de-açúcar e algodão inviabilizou a continuidade do comércio externo da erva.
O mercado interno da época dependia majoritariamente da importação de produtos franceses, amplamente encontrados em farmácias para fins medicinais e fitoterápicos. O professor da Universidade de São Paulo (USP), Henrique Carneiro, explica que a comercialização de maconha era regulada, tributada e gerava receitas diretas para os cofres públicos. O uso industrial da planta focava na produção de estopa e tecidos, enquanto o consumo recreativo estava associado às camadas afro-brasileiras. A ausência de registros recorrentes nos arquivos federais reforça que o Brasil atuava primordialmente como comprador no cenário global.
Histórico da cannabis no Brasil
Henrique Carneiro destaca que a regulação estatal sobre a cannabis permitia uma circulação em larga escala, tanto para o uso medicinal quanto para o industrial. O autor Saulo Carneiro reforça que o documento de 1906 surgiu por acaso durante buscas documentais, sendo o único registro de exportação encontrado em toda a série histórica analisada. A pesquisa detalha como a estrutura econômica do país tratava a planta como uma commodity comum, sujeita às mesmas regras fiscais de outros produtos agrícolas exportados no início do século passado.
A economia brasileira da época priorizava culturas de maior valor agregado, o que limitou a expansão da cannabis como produto de exportação. O estado de Alagoas aparece no balancete como o ponto de origem da carga, embora o documento não forneça detalhes sobre os produtores locais. O histórico de importação, por outro lado, demonstra uma dependência de insumos farmacêuticos estrangeiros que abasteciam o consumo nacional antes das políticas proibicionistas. O livro de Saulo Carneiro sistematiza essas evidências documentais para mapear o papel da planta na sociedade brasileira pré-proibição.
Pesquisa de Saulo Carneiro sobre maconha
Os interessados em aprofundar o conhecimento sobre o tema podem consultar os arquivos da Biblioteca Nacional ou aguardar o lançamento da obra de Saulo Carneiro em julho. O acesso aos documentos históricos sobre a economia do período pode ser realizado pelo portal oficial da instituição em bn.gov.br.
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