Justiça ordena perícia contábil no Banco Digimais

A juíza Ana Carolina Miranda de Oliveira, da 33ª Vara Cível de São Paulo, determinou na semana passada a realização de uma perícia técnica no Banco Digimais. A medida visa apurar a existência de lastro em carteiras de crédito revendidas pela instituição financeira ao fundo EXP 1 FIDC. A decisão judicial responde a uma acusação formal da gestora Yards, que alega a comercialização de ativos podres pelo banco de Edir Macedo.

Perícia no Banco Digimais

A disputa judicial teve origem em março de 2025, quando o Banco Digimais transferiu uma carteira de crédito ao fundo EXP 1 FIDC em uma operação avaliada em R$ 722 milhões. A gestora Yards contratou uma auditoria independente após não receber a documentação necessária sobre os ativos adquiridos. O levantamento identificou irregularidades em aproximadamente 42% das Cédulas de Crédito Bancário (CCB) transferidas, com foco nos contratos de valores mais elevados.

Os números apresentados pela auditoria indicam que cerca de 22 mil contratos não possuíam comprovação de lastro ou apresentavam pendências documentais graves. Do total de 3,1 milhões de parcelas a vencer, 2,1 milhões — o equivalente a 58% da base — careciam de documentação legal. O fundo EXP 1 FIDC afirma ainda que, desde o final de 2025, o Banco Digimais passou a reter pagamentos de titularidade nominal, solicitando que os cedentes originais direcionassem os valores diretamente ao banco.

Irregularidades em carteiras de crédito

O Banco Digimais nega as acusações e sustenta que enviou toda a documentação comprobatória dos créditos cedidos à gestora Yards. A instituição financeira argumenta que a gestora falhou em seu dever regulatório ao não realizar a análise de lastro previamente à constituição do fundo. A juíza Ana Carolina Miranda de Oliveira estabeleceu que a perícia deve verificar se houve retenção indevida de valores e a real extensão das perdas financeiras sofridas pelo fundo.

O setor financeiro observa o caso devido às semelhanças com as operações realizadas pelo Banco Master, que também enfrentou questionamentos sobre a regularidade de carteiras de crédito vendidas ao BRB. Documentos obtidos indicam que o Banco Digimais teria utilizado operações com fundos de investimento para retirar de seu balanço carteiras com inadimplência de centenas de milhões de reais. A instituição, que está à venda há mais de um ano, também é alvo de investigações sobre a venda de precatórios à holding de Edir Macedo.

Disputa judicial entre fundos

A perícia contábil será realizada com base nos documentos fornecidos pelo Banco Digimais à Justiça de São Paulo. O processo judicial busca obrigar o banco a repassar os valores retidos e a abrir uma conta vinculada para o recebimento dos pagamentos dos cedentes originais. A magistrada também avaliará o pedido de indenização por prejuízos decorrentes das supostas fraudes apontadas pela gestora Yards.

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