Justiça bloqueia R$ 54 bilhões da Americanas

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram nesta quinta-feira (25 de junho de 2026) a segunda fase da Operação Disclosure. A ação ocorre simultaneamente nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo para apurar irregularidades contábeis na empresa Americanas.

Operação Disclosure

Os agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão contra investigados por suposta participação em esquemas de manipulação de mercado e associação criminosa. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores dos envolvidos até o limite de R$ 54 bilhões. As equipes policiais realizam buscas pessoais nos endereços ligados aos suspeitos para coletar provas adicionais sobre o caso.

O montante de R$ 54 bilhões corresponde à estimativa total das fraudes contábeis identificadas pela investigação ao longo dos anos. A apuração foca em operações de risco sacado, onde dívidas com fornecedores eram omitidas do balanço financeiro da companhia. Além disso, os investigadores analisam contratos de VPC (verba de propaganda cooperada) contabilizados sem qualquer lastro econômico real.

Fraude Americanas

A primeira fase da Operação Disclosure, iniciada em junho de 2024, resultou em mandados de prisão contra os ex-CEOs Miguel Gutierrez e João Guerra Duarte Neto. Naquela ocasião, a Polícia Federal cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e bloqueou mais de R$ 500 milhões em bens. Miguel Gutierrez chegou a ser detido em Madri, na Espanha, em 28 de junho de 2024, antes de ser liberado no dia seguinte.

O setor varejista enfrenta instabilidade financeira desde a revelação das inconsistências contábeis que impactaram o mercado de capitais brasileiro. A Americanas registrou prejuízo de R$ 329 milhões no primeiro trimestre de 2026, mantendo o foco de órgãos reguladores como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A atual diretoria da empresa colabora com as autoridades desde o início das investigações em 2024.

Justiça Federal

O Ministério Público Federal solicitou à Justiça Federal a extradição de Miguel Gutierrez para que ele responda aos processos no Brasil. As autoridades continuam a análise dos documentos apreendidos para identificar outros possíveis envolvidos na associação criminosa. Novas medidas cautelares dependem das decisões da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

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