O psicólogo João Carvalhaes recomendou que Pelé e Garrincha não integrassem a delegação brasileira na Copa do Mundo de 1958. O profissional, contratado para avaliar os atletas, utilizou critérios técnicos de sua própria metodologia para desaconselhar a participação da dupla no torneio realizado na Suécia.
Psicólogo João Carvalhaes
A atuação de João Carvalhaes divergia das funções atuais de suporte psicológico, pois ele exercia influência direta sobre as decisões de escalação da comissão técnica. O psicólogo fundamentou sua análise em testes psicotécnicos aplicados anteriormente na Federação Paulista de Futebol, onde ele mantinha um laboratório especializado. Os resultados obtidos por Pelé nos exames foram considerados insuficientes pelo avaliador, que classificou o desempenho do jovem jogador como inadequado para o nível da competição mundial.
O laboratório mantido por João Carvalhaes na Federação Paulista de Futebol realizava 10 testes distintos para medir funções cognitivas, como a visão estereoscópica. O profissional estabelecia padrões rígidos para cada variável, eliminando candidatos que não atingiam o limite mínimo de pontuação, como no caso do teste de tempo de reação. O pioneirismo de João Carvalhaes ocorreu quase 30 anos antes da adoção de estruturas similares na Europa, como a conhecida Sala do Pensamento do clube Milan, na Itália.
Testes cognitivos Pelé
Pelé comentou posteriormente sobre os métodos aplicados por João Carvalhaes durante o período de preparação da seleção brasileira. O jogador afirmou que o trabalho do psicólogo representava algo muito à frente de seu tempo ou apenas uma invencionice, admitindo a possibilidade de serem as duas coisas simultaneamente. A orientação de João Carvalhaes foi ignorada pelos responsáveis pela equipe, permitindo que Pelé, então com 17 anos, marcasse 6 gols em 4 jogos e conquistasse o título mundial.
A seleção brasileira buscava superar traumas profundos após as campanhas frustrantes nas Copas de 1950 e 1954. A derrota para o Uruguai no Maracanã e a eliminação violenta contra a Hungria, na partida conhecida como Batalha de Berna, pressionavam o ambiente interno da equipe. João Carvalhaes havia sido contratado pelo São Paulo em 1957, após consolidar sua reputação na escola de árbitros, sendo levado à seleção para tentar evitar novos fracassos emocionais.
Seleção brasileira 1958
O legado de João Carvalhaes permanece como um marco na história da psicologia esportiva brasileira, apesar do erro de avaliação sobre os ídolos nacionais. O profissional introduziu o uso de laboratórios científicos no futebol nacional, alterando a forma como o desempenho cognitivo passou a ser observado dentro dos clubes profissionais.
Leia também:
- Espectadora presenciou gols históricos de Diego Maradona no México
- Kento Shiogai sofre ataques xenofóbicos após críticas ao Brasil
📲 Quer ser o primeiro a saber? Siga @noticias.24horas.sp no Instagram — notícias da sua região, 24 horas por dia.