Inca aponta maior consumo de tabaco entre LGBTI+

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) apresentou na quinta-feira, 25 de junho de 2026, no Rio de Janeiro, um estudo sobre o tabagismo na população LGBTI+. A pesquisa detalha disparidades significativas no consumo de derivados do tabaco entre grupos de diferentes orientações sexuais. O levantamento utiliza dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 para traçar o perfil atual dos fumantes no país.

Consumo de tabaco

A análise técnica conduzida por Aline Mesquita, pesquisadora da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Inca, indica que a prevalência do uso de cigarros e dispositivos eletrônicos é substancialmente maior entre homossexuais e bissexuais. O tabagismo atua como um fator de risco determinante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer. A exposição contínua a essas substâncias compromete a longevidade e a qualidade de vida dos indivíduos afetados.

Os dados oficiais demonstram que 22,4% das pessoas homossexuais e bissexuais consomem produtos de tabaco, enquanto o índice entre heterossexuais é de 12,7%. Em relação aos dispositivos eletrônicos, conhecidos como vapes, a prevalência no primeiro grupo é quase seis vezes maior do que no segundo. Especialistas reforçam que a indústria tabagista utiliza estratégias de marketing, como o patrocínio de eventos e o lançamento de produtos com aromas, para atrair consumidores mais jovens.

Saúde população LGBTI+

Aline Mesquita afirma que o preconceito e a violência enfrentados por essa população criam um ambiente propício para o uso de substâncias. A pesquisadora destaca que 90% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 19 anos, idade em que a vulnerabilidade à LGBTIfobia potencializa quadros de depressão e ansiedade. Denise Taynah, secretária-executiva do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBTI+ do Rio de Janeiro, defende a criação de protocolos específicos. Ela ressalta que unidades de saúde, incluindo as que realizam o processo transsexualizador, precisam integrar ações de combate ao fumo para garantir um atendimento efetivo.

O sistema de saúde brasileiro enfrenta o desafio de adaptar suas políticas antitabaco para alcançar grupos específicos com maior vulnerabilidade social. O histórico de ações da indústria tabagista, que busca associar seus produtos a uma imagem positiva através da responsabilidade social corporativa, exige uma resposta coordenada do poder público. A integração entre programas de saúde mental e o controle do tabagismo é apontada como um caminho necessário para reduzir os danos físicos e psicológicos. Informações sobre prevenção e controle podem ser consultadas no portal oficial do Instituto Nacional do Câncer em www.inca.gov.br.

Levantamento do Inca

As autoridades de saúde planejam cruzar as políticas de controle do tabaco com as diretrizes de promoção da saúde da população LGBTI+. A meta é desenvolver estratégias que contemplem as particularidades desse público para reduzir a incidência de doenças crônicas. O desenvolvimento de novos protocolos de atendimento nas unidades de saúde permanece como a principal medida para o enfrentamento dessa disparidade estatística.

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