O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil atingiu a marca de 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2025. O país registrou um crescimento de 71% nesta faixa etária em um intervalo de apenas 15 anos. Especialistas alertam que a velocidade da transição demográfica brasileira supera a observada em nações desenvolvidas.
Envelhecimento populacional brasileiro
O médico Rafael Herrera Ornelas, diretor de Atenção Primária e Rede Assistencial do Einstein Hospital Israelita, afirma que o sistema de saúde precisa de adaptação imediata. O modelo atual prioriza o tratamento de doenças agudas e infecciosas, enquanto a nova realidade exige foco em condições crônicas. O geriatra Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), reforça que a dependência funcional e as incapacidades devem guiar as novas políticas de atendimento.
As projeções do IBGE indicam que, em 2050, o contingente de brasileiros com 60 anos ou mais chegará a 65 milhões, representando 30% da população total. Dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), conduzido pela Fiocruz e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelam que 80% desse grupo depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). A prevalência de hipertensão, diabetes, câncer e demências tende a elevar a pressão sobre a rede pública nas próximas décadas.
Desafios do SUS e saúde
Alexandre Kalache, médico epidemiologista e presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, destaca que o custo elevado para o sistema decorre do acúmulo de doenças preveníveis ao longo da vida. O especialista defende a transição de um modelo reativo para um formato proativo de cuidado. Rafael Herrera Ornelas complementa que a identificação precoce de riscos e o acompanhamento contínuo são essenciais para evitar a agudização de quadros clínicos.
O sistema de saúde enfrenta o desafio de gerir o curso de vida da população, onde hábitos e condições sociais desde a infância determinam a saúde na velhice. A sustentabilidade do SUS depende da capacidade de resposta a essa demanda crescente por tratamentos complexos e de longo prazo. O planejamento estratégico foca agora na prevenção de incapacidades acumuladas para reduzir a sobrecarga hospitalar.
Projeções demográficas do IBGE
A preparação para o envelhecimento populacional exige ações que transcendem a ampliação de leitos ou a contratação de profissionais. O setor de saúde busca implementar estratégias que integrem o acompanhamento contínuo dos pacientes antes que as complicações se tornem crônicas. O monitoramento de indicadores de saúde deve orientar as próximas intervenções do poder público.
Leia também:
- Exposição celebra ciência e memória da Covid-19 com Nísia Trindade
- Avatares de IA simulam médicos para enganar idosos
📲 Quer ser o primeiro a saber? Siga @noticias.24horas.sp no Instagram — notícias da sua região, 24 horas por dia.