Homens enfrentam negligência em tratamentos de fertilidade

Luke, morador do Reino Unido, iniciou em 2020 a busca por atendimento médico especializado após 18 meses de tentativas frustradas para constituir uma família. O paciente relata que o sistema público de saúde britânico concentrou todo o acompanhamento clínico em sua esposa, tratando-o como um mero acessório durante o processo. Apenas após uma tentativa malsucedida de fertilização in vitro, o homem recebeu a informação de que sua saúde reprodutiva apresentava problemas que poderiam ter sido investigados anteriormente.

Negligência masculina na fertilidade

O atendimento médico frequentemente ignora a participação masculina, mesmo quando o casal busca auxílio em clínicas de fertilidade. Luke descreve que as consultas eram agendadas exclusivamente em nome da companheira e os formulários de contato ignoravam sua presença, apesar de seus dados estarem registrados no sistema. Essa exclusão, muitas vezes não intencional, ocorre em diversas etapas do cuidado, desde o aconselhamento inicial até o suporte oferecido pelas instituições especializadas.

A infertilidade atinge cerca de 1 em cada 6 casais, sendo que aproximadamente 50% dos casos possuem causas relacionadas a fatores masculinos, isolados ou combinados. As diretrizes do Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido recomendam que casais sem sucesso após 12 meses de relações sexuais sem contracepção passem por avaliações conjuntas e paralelas. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária contabiliza 227 centros públicos e privados de reprodução humana assistida, embora a oferta de serviços especializados varie conforme a região e a instituição.

Diagnóstico de infertilidade no Reino Unido

Bola Grace, pesquisadora da University College London, afirma que os homens expressam o desejo de participar ativamente do tratamento, mas sentem-se excluídos pela estrutura do atendimento. Segundo a especialista, a forma como o cuidado é prestado nas clínicas e no aconselhamento reforça o estigma de que a infertilidade é um problema exclusivamente feminino. Esse cenário gera um atraso significativo no diagnóstico e impacta diretamente as chances de sucesso dos procedimentos de reprodução assistida.

O sistema de saúde brasileiro apresenta disparidades na oferta de tratamentos de reprodução humana, dificultando o acesso equitativo para casais em diferentes estados. A falta de protocolos que integrem o homem desde a primeira consulta clínica contribui para a subnotificação de causas masculinas de infertilidade. A ausência de um olhar multidisciplinar sobre o casal perpetua a sobrecarga física e emocional sobre as mulheres, que acabam sendo o foco central das intervenções médicas.

Saúde reprodutiva e fertilização in vitro

As diretrizes internacionais reforçam a necessidade de mudança na abordagem clínica para incluir o homem como protagonista no diagnóstico. O acompanhamento paralelo de ambos os parceiros desde o início da investigação médica é a estratégia recomendada para evitar a negligência relatada por pacientes. A implementação dessas práticas depende da atualização dos protocolos de atendimento nas unidades de saúde e da conscientização das equipes médicas sobre a importância da participação masculina.

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