Governo federal lançou, nesta terça-feira 23 de junho de 2026, a fase piloto dos “drogômetros” nas blitz da Lei Seca em várias capitais brasileiras. O equipamento, desenvolvido para analisar saliva e identificar álcool, drogas ilícitas e medicamentos que alteram a capacidade de direção, será testado em pontos de controle de trânsito de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
A iniciativa surge após a Lei Seca completar 18 anos de vigência e registrar, a partir de 2020, aumento no número de acidentes e de flagrantes. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), as ocorrências de colisões graves cresceram 12 % nos últimos quatro anos, enquanto a recusa ao bafômetro passou a representar 66 % das infrações desde 2008, totalizando 3,7 milhões de multas. Cada recusa gera multa de R$ 2.934,70 e suspensão da carteira por 12 meses.
Em entrevista ao jornal O Globo, Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, afirmou que “há acomodação geral na fiscalização e a população está perdendo a percepção do risco de beber e dirigir”. O especialista destacou que a nova tecnologia pode reduzir a estratégia de “indústria dos recursos judiciais”, utilizada por motoristas que contestam as autuações. O perfil dos autuados, segundo o relatório da secretaria de trânsito, concentra‑se em homens com idade média de 39 anos, representando 90 % dos casos.
A aprovação do equipamento depende de certificação do Inmetro e de uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Sem esses instrumentos, as abordagens poderiam enfrentar insegurança jurídica. O Ministério da Justiça já encaminhou proposta ao Contran, que deve ser votada em reunião prevista para agosto de 2026. Enquanto isso, a força‑tarefa da Polícia Rodoviária Federal receberá treinamento técnico para operar os dispositivos nas próximas blitz.
O impacto econômico da medida se reflete nas multas já aplicadas: a soma das penalidades por recusa ao teste ultrapassa R$ 10,9 bilhões desde 2008. Além do custo direto, o aumento de acidentes eleva despesas hospitalares e perdas de produtividade. A ampliação da fiscalização pode, portanto, gerar redução nos gastos públicos relacionados a acidentes de trânsito, conforme projeções da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Se os testes forem aprovados, o governo planeja expandir o uso dos drogômetros para todo o território nacional até o final de 2027. A expectativa é que a tecnologia contribua para a diminuição das infrações e dos acidentes, reforçando a eficácia da Lei Seca ao longo das próximas décadas.
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