Fraternidade São Pio X planeja sagração de bispos na Suíça

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X organiza uma cerimônia para nomear novos bispos no próximo dia 1º de julho na cidade de Écône, na Suíça. O grupo católico tradicionalista realizou uma missa preparatória no final de maio na Vila Mariana, em São Paulo, onde o celebrante convidou os fiéis brasileiros a participarem do evento europeu. A congregação mantém a prática de celebrar ritos em latim com o padre de costas para os fiéis, recusando as reformas modernizantes implementadas pelo Vaticano a partir da década de 1960.

Sagração de bispos em Écône

O arcebispo francês Marcel Lefebvre fundou a organização em 1970 como uma resposta direta às mudanças litúrgicas e doutrinárias da Igreja Católica. Em 1988, o fundador enfrentou a excomunhão após nomear quatro bispos sem a autorização oficial do papa João Paulo 2º. Apesar da punição canônica que restringe a participação em sacramentos, a entidade expandiu suas atividades pela América do Sul e consolidou sua estrutura no Brasil nos últimos 20 anos.

A capela localizada na Vila Mariana registrou lotação máxima durante a celebração de final de maio, com fiéis ocupando corredores e escadas do mezanino. A congregação utiliza livrinhos de tradução para auxiliar os participantes, embora a maioria dos presentes demonstre domínio das preces em latim. O rigor estético da cerimônia inclui o uso de vestes em vermelho e dourado pelo clero, enquanto as mulheres seguem um código de vestimenta que exige saias longas e lenços de renda para cobrir os cabelos.

Fraternidade São Pio X no Brasil

O padre responsável pela unidade paulistana solicitou orações dos fiéis pelos novos bispos durante o momento em que utilizou o idioma português na cerimônia. A Santa Sé emitiu comunicados prévios informando que as sagrações planejadas para julho não possuem o consentimento papal, mantendo o impasse histórico entre a instituição e a hierarquia católica. O evento em Écône representa um novo capítulo na resistência da Fraternidade Sacerdotal São Pio X contra as diretrizes vigentes da Igreja.

O crescimento de correntes conservadoras entre os católicos brasileiros impulsionou a capilaridade da congregação nas últimas duas décadas. A organização mantém sua identidade através da preservação de ritos medievais e da recusa explícita às reformas que alteraram a dinâmica do altar e a posição do celebrante. O movimento atrai seguidores que buscam uma experiência religiosa fundamentada na liturgia pré-conciliar, distanciando-se das práticas adotadas pela maioria das paróquias brasileiras nas manhãs de domingo.

Missas em latim e tradicionalismo

A realização das sagrações sem a anuência do Vaticano coloca a Fraternidade Sacerdotal São Pio X em rota de colisão com a Santa Sé. O desdobramento imediato deste cenário é a manutenção da proibição de ritos e sacramentos para os membros da congregação, conforme a punição imposta pela autoridade máxima da Igreja. A comitiva brasileira que pretende viajar para a Suíça segue os planos de expansão da liderança tradicionalista, ignorando os avisos formais emitidos pelas autoridades eclesiásticas sobre a irregularidade do ato.

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