A Ford contratou 350 engenheiros experientes para reforçar o setor de controle de qualidade da companhia em 2026. A decisão ocorre após a inteligência artificial não atingir os padrões de precisão esperados pela montadora no monitoramento de falhas de fabricação.
Contratação de engenheiros
O grupo de profissionais, apelidado internamente de engenheiros de “barba grisalha”, atua diretamente na supervisão dos processos produtivos. Kumar Galhotra, líder da divisão de engenharia de veículos, manufatura e cadeia de suprimentos, coordena a integração desses especialistas com as novas tecnologias. O objetivo central é combinar a capacidade de processamento de dados dos sistemas digitais com a experiência prática acumulada por décadas de trabalho humano.
A empresa implementou 900 câmeras equipadas com inteligência artificial para detectar defeitos em tempo real nas linhas de montagem. Apesar do investimento tecnológico, a montadora registrou em 2025 o maior volume de recalls de sua história recente. A estratégia atual foca em utilizar os veteranos para treinar os funcionários mais jovens e reprogramar os algoritmos, visando uma redução efetiva nas convocações para reparos ao longo de 2026.
Ford reforça qualidade
Charles Poon, vice-presidente de engenharia de hardware de veículos da Ford, admitiu que a empresa subestimou a necessidade de supervisão humana. Segundo o executivo, a companhia cometeu o erro de acreditar que a simples ingestão de requisitos de design pela inteligência artificial seria suficiente para garantir um produto de alta qualidade. O CEO Jim Farley defende que a tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas que sua eficácia depende inteiramente da competência técnica de quem a opera.
O setor automotivo observa a movimentação da Ford como um indicativo dos limites da automação total em processos industriais complexos. A montadora obteve o primeiro lugar no estudo de qualidade inicial da JD Power entre marcas tradicionais, o que demonstra benefícios parciais das checagens automatizadas. A empresa mantém o compromisso de investir em inteligência artificial, mas agora sob uma cultura de resolução de problemas que prioriza a experiência humana.
Inteligência artificial automotiva
A Ford planeja utilizar o conhecimento dos veteranos para redesenhar o fluxo de qualidade desde a fase de desenvolvimento de software até a montagem final. A meta é identificar potenciais falhas antes que os veículos cheguem aos consumidores, prevenindo problemas na origem.
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