A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou um aumento de 19,2% no total de mortes em vias que receberam a Faixa Azul na cidade de São Paulo. O levantamento, enviado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), aponta que o número de óbitos subiu de 57 para 68 após a instalação da sinalização. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e consolidam o impacto da medida na segurança viária.
Faixa Azul em São Paulo
O relatório cruzou informações do Infosiga, sistema do Detran-SP, comparando períodos equivalentes de antes e depois da implementação em diferentes vias. A análise considerou 18 meses de monitoramento no Minhocão e 25 meses na Avenida Faria Lima. O estudo aponta que a segregação virtual da faixa incentiva o abuso de velocidade por parte dos motociclistas, criando um falso senso de segurança.
Os indicadores de violência no trânsito apresentam piora generalizada em diversos quesitos fundamentais. As mortes por atropelamento registraram um salto de 150%, passando de 10 para 25 fatalidades. O total de acidentes não-fatais cresceu 15,6%, subindo de 2.455 para 2.840, enquanto as colisões entre carros e motos aumentaram 13,8%. Além disso, os atropelamentos com feridos tiveram uma alta de 24%, superando o crescimento de 10,5% no fluxo de motos observado nas vias.
Mortes de motociclistas aumentam
O jornalista Dalmo Hernandes destaca que a gestão municipal promoveu a Faixa Azul como uma tecnologia de preservação da vida, mas os resultados oficiais indicam o oposto. Especialistas em engenharia de tráfego, incluindo estudos realizados pela USP, alertam que a alta velocidade relativa no corredor, comparada ao fluxo lento de automóveis, reduz drasticamente o tempo de reação dos condutores. A Senatran utilizará este relatório consolidado para definir se a sinalização será regulamentada definitivamente ou extinta das vias paulistanas.
O encarecimento dos veículos novos, que incorporam tecnologias de segurança, força o aumento da demanda por modelos usados e, consequentemente, impulsiona o uso de motocicletas. Este cenário coloca os motociclistas como o elo mais vulnerável da mobilidade urbana, segundo as análises técnicas apresentadas. A falta de foco nas políticas de proteção para este grupo específico contribui para a elevação das estatísticas de acidentes fatais. O acompanhamento detalhado das métricas de segurança pode ser consultado por meio dos canais oficiais da Secretaria Nacional de Trânsito (https://www.gov.br/transportes/pt-br/assuntos/transito/senatran).
Dados da CET sobre trânsito
A decisão final sobre a continuidade do projeto depende da avaliação técnica dos dados enviados à esfera federal. A Secretaria Nacional de Trânsito deve analisar se a estrutura atual oferece riscos superiores aos benefícios esperados para a fluidez do tráfego. Novas diretrizes sobre a sinalização exclusiva serão publicadas após a conclusão da análise do relatório da CET.
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