O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos iniciou nesta semana, em Washington, uma série de audiências públicas para investigar supostas práticas comerciais desleais do Brasil. O processo, conduzido pelo órgão conhecido como USTR, avalia a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre diversos itens exportados por empresas brasileiras. As sessões começaram na segunda-feira, 6 de julho de 2026, e integram consultas formais previstas pela Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974.
Audiências comerciais em Washington
A primeira rodada de debates, que termina nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, analisa seis eixos temáticos, incluindo o sistema de pagamentos Pix, políticas de combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e desmatamento ilegal. Uma segunda audiência, iniciada também nesta terça-feira, amplia o escopo para 60 nações e investiga falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão. Este segundo procedimento deve se estender por três dias, com encerramento previsto para a próxima quinta-feira, 9 de julho de 2026.
O governo norte-americano instaurou a primeira investigação em julho de 2025 e a segunda em março de 2026. A Associação Brasileira de Rochas Naturais informou que os Estados Unidos representam o principal mercado internacional para o setor, movimentando US$ 795 milhões em vendas brasileiras apenas no ano passado. O Natural Stone Institute apoia o posicionamento da entidade brasileira, que busca demonstrar os efeitos negativos de possíveis tarifas adicionais para a economia estadunidense.
Investigação sobre produtos brasileiros
O senador Flávio Bolsonaro confirmou presença e será ouvido pelos representantes do governo norte-americano ainda nesta terça-feira, 7 de julho de 2026. Diversas organizações nacionais, como a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil, o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café, a Confederação Nacional da Indústria, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia e a Embraer, inscreveram-se para apresentar argumentos. A Centrorochas e o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais também participam ativamente das discussões sobre as acusações de trabalho forçado.
O setor produtivo brasileiro enfrenta o risco de encarecimento de seus produtos no mercado externo caso as sobretaxas sejam confirmadas pelo governo dos Estados Unidos. As empresas buscam reverter as medidas argumentando que a taxação prejudica tanto a cadeia produtiva brasileira quanto as companhias estadunidenses que dependem desses insumos. A ausência de representantes oficiais do governo brasileiro nas audiências tem gerado debates sobre a estratégia de defesa da soberania comercial do país frente às sanções impostas pelo USTR.
Setor produtivo e tarifas externas
As investigações seguem o rito da Lei de Comércio dos Estados Unidos, permitindo que o governo norte-americano aplique restrições contra países considerados prejudiciais aos seus interesses. O resultado das consultas formais determinará se as sobretaxas de 25% serão efetivadas ou se as justificativas apresentadas pelas entidades brasileiras serão aceitas. Interessados podem acompanhar o andamento dos processos e as atualizações oficiais através do portal do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos em ustr.gov.
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