Emmanuele Jannini, sexólogo da Universidade de Roma Tor Vergata, organizou um livro acadêmico que reúne evidências sobre a relação entre disfunção erétil e doenças graves. O lançamento ocorreu em junho de 2026, durante um simpósio de urologia em Roma, Itália.
Jannini explicou que a incapacidade de manter uma ereção costuma ser um dos primeiros sinais de que algo não vai bem com a saúde cardiovascular ou metabólica. Ele destacou que a maioria dos homens evita discutir o tema, o que impede diagnósticos precoces e favorece a progressão de condições como diabetes, infarto, AVC e demência.
A pesquisa citada por Jannini indica que a prevalência global da disfunção erétil varia entre 3 % e 76,5 %, dependendo dos critérios de definição. Um estudo detalhado com 1.200 homens revelou que 39 % dos participantes com 40 anos apresentavam algum grau de impotência, enquanto a taxa subiu para 67 % entre os que tinham 70 anos.
“Quando o fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos é reduzido, a ereção falha e isso pode refletir problemas circulatórios sistêmicos”, afirmou o professor Emmanuele Jannini. Em entrevista ao BBC News Brasil, ele acrescentou: “Investigar a disfunção erétil com rigor pode permitir que médicos identifiquem doenças graves antes que se agravem”. O sexólogo também ressaltou que fatores psicológicos, como estresse e níveis elevados de cortisol, podem interferir na produção de testosterona e na resposta vascular.
A comunidade médica tem reconhecido o pênis como um “termômetro” da saúde masculina. O aumento de casos reportados tem impulsionado clínicas de urologia a incluir avaliações de função erétil em exames de rotina. Essa mudança pode gerar custos adicionais ao sistema de saúde, mas também abre oportunidades para intervenções precoces que reduziriam hospitalizações por infarto ou AVC.
Nos próximos meses, o grupo de pesquisa liderado por Jannini planeja publicar diretrizes clínicas que recomendam a triagem de disfunção erétil em homens a partir dos 40 anos. A expectativa é que hospitais e planos de saúde adotem protocolos padronizados, facilitando a detecção precoce de doenças crônicas.
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