Dieter Egli edita genoma de embriões humanos nos EUA

O biólogo Dieter Egli, da Universidade Columbia, realizou alterações no genoma de embriões humanos. O estudo foi disponibilizado na plataforma bioRxiv em 1º de junho de 2026 como uma versão preliminar. A publicação não passou por revisão por pares até o momento.

Edição de genoma humano

A comunidade científica debate o rigor e a pressa na divulgação desses resultados experimentais. O professor emérito Sergio Danilo Junho Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, aponta que o avanço reacende preocupações bioéticas. O foco central das discussões envolve o uso futuro dessas tecnologias para modificar características humanas, como a inteligência.

O sistema CRISPR-Cas9, desenvolvido por Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier em 2012, serve como base para essas intervenções genéticas. A tecnologia, que rendeu o Prêmio Nobel de Química de 2020, atua como uma tesoura molecular capaz de cortar o DNA em locais específicos. Estudos indicam que o método pode causar rearranjos cromossômicos e alterações em regiões não planejadas do genoma. O mosaicismo, fenômeno onde apenas parte das células do embrião é editada, permanece como um desafio técnico relevante para os pesquisadores.

Pesquisa de Dieter Egli

Dieter Egli afirma ter alcançado sucesso nas modificações genéticas realizadas em seu laboratório. O pesquisador chinês He Jiankui protagonizou um caso de grande repercussão em 2018 ao editar embriões para conferir resistência ao HIV. He Jiankui recebeu uma condenação de três anos de prisão pela justiça chinesa após o nascimento de três crianças modificadas. A comunidade científica internacional classificou o episódio como uma grave violação ética e regulatória.

A medicina busca alternativas para prevenir ou curar doenças genéticas hereditárias através da edição genômica. O grupo de David Liu, da Universidade Harvard, desenvolveu em 2016 uma estratégia denominada edição de bases para superar limitações do CRISPR convencional. O potencial terapêutico abrange infecções virais, câncer e diversas condições hereditárias. A aplicação dessas técnicas exige cautela devido aos riscos de efeitos colaterais genéticos ainda não totalmente compreendidos pela ciência.

Bioética e CRISPR

Pesquisadores acompanham a evolução das publicações na plataforma bioRxiv para verificar a validação dos dados apresentados por Dieter Egli. A ausência de revisão por pares mantém o estudo sob escrutínio de especialistas em bioética e genética. Novas diretrizes regulatórias podem surgir conforme o progresso das tecnologias de edição genômica avança nos próximos anos.

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