Copom reduziu a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano na reunião realizada em 23 de junho de 2026 em Brasília, segundo a ata divulgada pela Agência Brasil. A decisão marcou o terceiro corte consecutivo desde março, apesar da pressão inflacionária observada no mês de maio.
A autarquia justificou o recorte com base nas “melhores práticas” de política monetária, que recomendam não reagir integralmente a variações de preços provocadas por choques de oferta. Entre os fatores citados, destacam‑se o conflito armado no Oriente Médio, que eleva os preços globais de petróleo e combustíveis, e as projeções climáticas do fenômeno El Niño. O documento alerta que tais eventos trazem incertezas relevantes ao cenário de preços.
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio em 0,58%, impulsionada pelos alimentos. O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, fora da meta oficial de 1,5% a 4,5%. O mercado projeta o IPCA em 5,33% para 2026 e 4,15% em 2027. O Copom destacou que manter a Selic em trajetória menos discrepante das previsões analistas reduz a volatilidade dos ativos financeiros e dos agregados macroeconômicos.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, escreveu a ata. Paulo Guedes, diretor‑executivo de Política Monetária, afirmou que os passos futuros da taxa de juros dependerão de novos dados econômicos. Rogério Carvalho, economista‑chefe do Banco Central, acrescentou que a flexibilidade gradual busca garantir a convergência da inflação ao centro da meta no primeiro trimestre de 2028.
A decisão afeta diretamente consumidores, empresas e investidores. O custo de crédito tende a permanecer mais baixo, favorecendo a demanda por bens duráveis e investimentos em infraestrutura. Contudo, a persistência de pressões inflacionárias nos serviços pode limitar a desaceleração da inflação, exigindo atenção contínua do BC. Historicamente, a Selic manteve‑se em 15% entre junho de 2025 e março de 2026, o maior patamar em quase duas décadas.
O Copom simulou cenários com pausas e retomadas do ciclo de juros, indicando que trajetórias alternativas gerariam menor flutuação do produto e compatibilidade com uma suavização macroeconômica. A ata indica que o BC continuará monitorando os impactos do Oriente Médio e do El Niño, ajustando a taxa conforme a clareza sobre esses riscos evolua.
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